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    “Não aprendi dizer adeus”

    por Leandro Bittar

    Estávamos todos digerindo o emocionante anúncio da aposentadoria do italiano Vincenzo Nibali (Astana) anunciada durante o Giro d’Italia e surgiu a notícia que este também será o último ano de outro campeão da grande volta italiana, o holandês Tom Dumoulin (Jumbo-Visma). Seis anos de idade e seis temporadas como profissional separam esses dois ciclistas. Enquanto o primeiro encerra vivendo uma grande forma, mas já no compreensível limite das forças, Tom Dumoulin parece que ainda teria pernas. Mas nem sempre a expressão “o corpo pede” estamos falando dos músculos. Dessa vez, lhe falta cabeça…e coração.

    Um Giro 2022 que resume: bons resultados, dores e insatisfação

    O holandês já tinha feito um movimento parecido na temporada passada, quando ficou meses parado repensando a carreira. Iniciou apenas em junho focado no plano de correr os Jogos Olímpicos de Tóquio. E deu certo. Ganhou uma medalha de prata no contrarrelógio individual vencido pelo companheiro de equipe, o esloveno Primoz Roglic. Uma conquista importante, que se soma ao mesmo metal da Rio2016, ao título mundial de 2017, as vitórias de etapa nas três grandes voltas e uma maglia rosa no Giro 2017, grande momento da sua carreira. No ano seguinte, ainda foi vice-campeão do Giro e do Tour.

     

    Dumoulin foi superado no Rio por Fabian Cancellara

     

    De volta para 2022, ele fez uma temporada irregular, mas promissora, que o levou com expectativas para a largada do Giro d’Italia. O resultado por lá, esse sim, não foi o que ele esperava. Reacendeu os dilemas que ele carrega consigo faz alguns anos. “Meu corpo se cansou. Assim que as cargas de treino e das corridas aumentam, sofro de fadiga, dores e lesões ao invés de melhorar”, disse Dumoulin em sua carta de despedida.

    A vitória de rosa na etapa de Oropa. Sua mais incrível exibição

    Diferentemente do que acontece com outros ícones, como Philippe Gilbert e Alejandro Valverde (que já falamos outras vezes no blog aqui1 e aqui), soa mais difícil entender a decisão de Dumoulin. Um ótimo contrato, a confiança da equipe, uma fornecedora de bicicletas que sempre correu atrás dele e uma suposta vitalidade que ainda lhe permite andar em bom nível. É preciso respeitar e aceitar a decisão de Tom Dumoulin. Assim como é comum em todos os outros problemas mentais, é muito fácil cair na vala comum de que é uma bobagem, uma fraqueza. Só ele sabe os reais sacrifícios que o fizeram abdicar de tudo. Do ciclismo, ele jura que não vai se afastar.

     

    Em 2018 ele subiu ao pódio no Giro e no Tour, mas sempre em segundo

    Assim como ele voltou atrás da decisão ano passado, fica uma esperança que ele repense sua retirada. Reforça essa expectativa o anúncio não ser de efeito imediato. Quem sabe os próximos eventos mostrem para ele um ciclismo menos sofrido. Mais leve. No final da carta ele declara: “Sou um homem feliz e posso estar orgulhoso da minha carreira. Eu e a minha equipe decidimos que ainda vamos conseguir mais algumas coisas boas nos últimos meses”. Tomara, Dumoulin! Estamos na torcida. Seja qual for o seu caminho

    Entre todos sucessos, nenhum será mais lembrado do que essa inusitada cena.

    Se você não entendeu a foto anterior, clique aqui.

    PS: Antes que um morador gerundense nos ataque, esse espaço promete em breve algumas palavras ao Tubarão de Messina

    https://blog.useiq.com.br/4886-2
    https://blog.useiq.com.br/hey-phillll

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