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    Freio a disco: 8 motivos que comprovam que são melhores

    Com certeza você já sabe que os discos de freio são melhores que os antigos freios de aro e entende que essa discussão já está enterrada. Eu também entendo assim. Meu ponto aqui não é convencer ninguém a migrar para o disco – até por quê a maioria já aderiu a essa tecnologia, tanto nas roads quanto nas MTB.

    O que eu quero aqui é levantar alguns pontos técnicos que talvez a gente ainda não tenha tomado consciência. Muita gente só tem na cabeça algo como “Basta testar que você vê que é bem melhor”, que é verdade, mas não carrega nenhum embasamento técnico.

    Outros dizem apenas “O freio a disco é muito mais potente”, o que eu acho que não é bem por aí. Vamos enumerar os 8 pontos positivos do freio à disco:

     

    1 – Peso em giro

    Sim, o sistema de freio a disco é mais pesado e isso é um ponto negativo, mas ele concentra o peso em locais diferentes do freio de aro. Tirar a pista de frenagem da roda nos permitiu várias coisas, entre elas, ter um aro mais leve. Um aro mais leve significa menos peso em giro, o que depende de algumas contas matemáticas para saber se no frigir dos ovos teremos benefícios ou perda em determinados momentos como arrancadas ou sprints, que exigem tirar o conjunto da inércia para alguma aceleração em específico.

    Muitos defendem que sim, a bike fica mais ágil nesses momentos, e não só nas descidas como a maioria insiste.

     

    2 – Upgrades de rodas, pneus, tubeless e eixo

    Como falamos, retirar a pista de frenagem dos aros permitiu muitas coisas. Podemos agora utilizar aros mais largos, logo pneus mais largos, assim como mais clearance nos quadros. Consequentemente, isso nos leva à facilitação do uso de tubeless, bem como menor calibragem nos pneus e até a utilização de eixo passante nos cubos.

    A discussão de como esses upgrades afetam positiva ou negativamente a performance de uma bicicleta – sobretudo as de estrada – ainda é polêmica e gera uma discussão maior do que a pretendo ter aqui. Fato é que, temos a possibilidade de usar todos esses upgrades graças aos freios a disco – e a maioria dos atletas realmente aderiu à elas tambem.

     

    3 –  Aerodinâmica

    Os freios a disco apresentam melhor fluidez ao cortar o ar por que permitem que exista o cabeamento interno, passando a mangueira hidráulica por dentro do guidão, caixa de direção e saindo na metade do garfo dianteiro.

    No caso dos freios de aro, a ferradura está posicionada no topo da roda, tendo como única solução um cabo que sai do STI e passa por fora da caixa de direção até chegar no seu destino final da ferradura. Esse cabo toma vento na cara o tempo inteiro.

    Ele tem alta influência na aerodinâmica principalmente por estar posicionado na parte mais frontal da bicicleta e pegar o primeiríssimo contato com o vento.

     

    4 – Redução de Sujeira

    Esse é um ponto bem importante. Quando chove ou tem muita sujeira, afeta-se bastante a performance e vida útil dos componentes de um freio, qualquer que seja. No caso dos antigos freios de aro, a pista de frenagem está sempre bem próxima do solo, pegando muitos detritos e levando-os até o contato com a sapata de freio.

    No caso do disco, todo o sistema está posicionado mais alto, com maior distância das sujidades do solo. Por ser um sistema menor, reduz a área de contato com as nojeiras e melecas que aparecem seu caminho. Freio mais limpo, ponto pro disco.

     

    5 – Força nos braços

    O sistema hidráulico dos discos de freio permite um acionamento que exige menos força da mão do piloto, o que economiza bastante energia em uma competição. Basta lembrar como são os carros que possuem direção hidráulica e como são os que não possuem, certo? Cada baliza é uma academia para o piloto.

    E não, não é viável colocar um sistema hidráulico em um freio de ferradura. Na década de 90 rolaram alguns modelos assim, mas foi um desastre de ferraduras e aros quebrados por não suportarem a força do sistema hidráulico.

    Em tempo: um freio a disco mecânico (movido a cabos) é muito inferior ao hidráulico, perdendo não só a característica de possuir o acionamento mais leve, como principalmente de perder a sua modulação, item que iremos explicar a seguir.

     

    6 – Potência:

    A velha frase “potência não é nada sem controle” se encaixa bem aqui. Sim, o disco é mais potente, mas isso não faz tanta diferença.

    Um freio exageradamente potente não garante que a frenagem seja mais rápida, precisa ou segura, uma vez que dependemos do atrito dos pneus com o solo para frear de fato uma bicicleta. Um teste feito em carros mostrou que pouco adiantou instalar um freio ultra potente de uma Ferrari em um carro popular, uma vez que tal potência dos freios não foi transferida para os modestos pneus de um Palio ou Uno, que começaram a derrapar quando utilizaram uma pequena fração da potência do freio da Ferrari.

    É por isso que aumentar a potência dos freios com o disco de freio casa perfeitamente com utilizar um pneu mais largo, que vai conseguir segurar a onda de toda a potência que o sistema de freios possui. Na verdade, toda a potência é um grande exagero, mas ja temos uma relação melhor.

    Potência versus controle nos leva ao próximo tópico:

     

    7 – Modulação

    No freio de aro fica difícil frear “um pouquinho mais” ou “um pouquinho menos”. É meio que “tudo ou nada”. Isso significa que ele não tem boa modulação.

    Quem aí já experimentou frear um carro com o pé esquerdo? Você coloca o pé bem devagarinho e ele freia muito pouco. Aí você coloca um pouco mais de força e ele freia tudo de uma vez, assustando todos dentro do carro. Isso é normal, pois sem o devido treino, o nosso pé esquerdo não tem a MODULAÇÃO necessária para aplicar uma força gradual e intermediária no freio.

    Os freios de aro são como um pé esquerdo, que sempre deixa a modulação sem precisão. Por mais que o piloto tenha as mãos muito bem treinadas é impossível ter a mesma precisão de frenagem que ele teria no freio a disco.

    E mais um segredo que passa despercebido por muitos: o principal fator para essa modulação não está no fato de o freio ser a disco ou de aro, mas sim por ele ser com acionamento hidráulico ao invés de força de cabos de aço.

    Resumidamente, os óleos confinados em um sistema fechado (idealmente sem bolhas de ar) não mudam de tamanho durante uma frenagem e reproduzem, em situações ideais, o mesmo movimento das manetes nos pistões de frenagens. Já os antigos cabos de freios, estes sofrem com deformações que apesar de pequenas, fazem total diferença na precisão esperada para um sistema tão importante.

    Podemos dizer que o disco é responsável pela potência, enquanto o sistema hidráulico é responsável pelo controle. É a combinação perfeita.

     

    E fica o questionamento: alguém consegue imaginar qual é a próxima evolução dos sistemas de freio?


    1 comentário

    muito bom

    Thiago

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