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    CRIA: Talento não escolhe CEP

    O CRIA nasceu em 2023 de uma inquietação simples: a gente estava dentro do ciclismo, acompanhando provas e convivendo com atletas, e começou a perceber quanta gente boa estava tentando fazer acontecer praticamente sozinha.

    Mas, com o tempo, percebemos também quem não estava ali.

    Porque existe uma diferença enorme entre não ter talento e nunca ter tido a oportunidade de descobrir se você tinha.

    No ciclismo, essa distância pode ser ainda maior. Antes de pensar em resultado, existe bicicleta, equipamento, inscrição, viagem, alimentação, treinamento e acompanhamento. Para muita gente, principalmente nas periferias, a barreira para entrar no esporte aparece muito antes da primeira linha de largada.

    Foi olhando para esse espaço que nasceu o CRIA.

    A ideia nunca foi simplesmente montar uma equipe de ciclismo. Queremos encontrar pessoas com vontade de construir uma trajetória no esporte e dar a elas condições para descobrir até onde conseguem chegar.

    E quando falamos em talento, não estamos procurando apenas aquele atleta que parece um fenômeno desde o primeiro treino.

    Talento também pode ser disciplina. Pode ser resiliência. Capacidade de aprender, de treinar quando ninguém está olhando, de cair e voltar no dia seguinte.

    O problema é que, para descobrir até onde essas características podem levar alguém, é preciso conseguir permanecer no esporte tempo suficiente.

    Por isso começamos fazendo o que estava ao nosso alcance: uma inscrição aqui, uma viagem ali, hospedagem, alimentação, manutenção e apoio em prova. Depois entendemos que, para realmente desenvolver um atleta, era necessário construir continuidade.

    Treinamento. Nutrição. Fisioterapia. Equipamento. Logística. Calendário. Comunicação. E, principalmente, oportunidade.

    Os resultados começaram a aparecer.

    Em 2025, o CRIA subiu ao pódio em quase 70% das provas que disputou. João Vitor terminou o Campeonato Brasileiro de Estrada como vice-campeão brasileiro Sub-23. Em 2026, subiu para a Elite e foi convocado para representar a Seleção Paulista.

    Mas talvez os atletas que ainda estão construindo seus grandes resultados expliquem ainda melhor o que queremos fazer.

    Porque é fácil aparecer quando chega o pódio.

    O CRIA quer estar antes.

    Queremos ajudar a criar o caminho entre alguém que tem vontade e alguém que passa a enxergar o esporte como uma possibilidade real.

    E queremos fazer isso também fora das competições. O ciclismo brasileiro tem atletas, rivalidades, histórias, derrotas e vitórias acontecendo todos os finais de semana, mas grande parte desse universo ainda não atravessa a própria bolha.

    Por isso, formar atletas também significa contar histórias. Fazer alguém que nunca assistiu a uma prova começar a acompanhar um ciclista porque conheceu de onde ele veio e para onde está tentando chegar.

    No fim, talvez seja isso que melhor explique o CRIA: colocar luz.

    Sobre quem estava treinando sozinho. Sobre quem nunca imaginou que poderia estar em uma linha de largada. Sobre atletas que merecem ser vistos. E sobre um esporte que ainda tem muito mais para mostrar ao Brasil.

    Talento não escolhe CEP.

     

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    1 comentário

    Texto maravilhoso que explica os desafios de quem quer ser atleta, tem talento para o esporte mas não tem as condições essenciais para seu aperfeiçoamento. Tenho 61 anos, sou nascida e criada na periferia de São Paulo, por isto entendo muito bem os desafios de quem é oriendo de CEP menos privilegiados. Mas tem muito talento nestas regiões. Precisamos dar oportunidades a estas pessoas.

    Marcia Oliveira •

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