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    A nutrição e a jornada que transformam a mente, o corpo e a vida

    Existe algo no ciclismo que transforma a forma como enxergamos a vida. Há 10 anos atuando como nutricionista esportiva, os meus primeiros pacientes foram ciclistas e sempre foi incrível ver o brilho nos olhos de cada um deles, quando o assunto era: bicicleta .  

    Talvez seja o silêncio das estradas.

    Talvez seja o barulho da respiração durante uma subida difícil. Ou talvez seja perceber que o corpo vai muito mais longe quando a mente aprende a continuar e a usar substratos enérgicos certos, para cada prova ou treino. 

    Minha relação com a bike nunca foi apenas sobre performance. Sempre foi sobre conexão. Comigo, com meu corpo, com minha profissão, com minha disciplina e com tudo aquilo que escolho alimentar física e emocionalmente.

    Como nutricionista, aprendi cedo que nutrição não é somente estética ou resultado. É energia. Recuperação. Presença. É o que sustenta cada treino, cada amanhecer cansado e cada quilômetro percorrido mesmo quando ninguém está vendo. E são os pequenos detalhes e ajustes nutricionais que te fazem ir cada vez mais longe, no esporte e na vida. 

    E após 1 ano pedalando, foi em Mallorca que tudo isso ganhou outro significado.

    Existe uma magia difícil de explicar naquele lugar. As estradas parecem desenhadas para quem ama pedalar. O azul do mar encontra as montanhas de uma forma quase cinematográfica, e cada subida entrega não apenas desafio, mas também silêncio, contemplação e presença divina. 

    Eu imaginava que seria uma experiência intensa fisicamente e foi. Mas não esperava o quanto seria emocional também.. me enchem os olhos só de lembrar o quanto foi tudo lindo..

    Mallorca me lembrou porque eu comecei e que devo sim, continuar. 

    Me lembrou que o esporte não precisa ser apenas sobre performance o tempo inteiro. Às vezes, ele também é sobre sentir. Sobre viver o percurso. Sobre olhar ao redor. Sobre perceber que existem momentos que simplesmente ficam marcados na gente.

    Voltei diferente. Mas .. cada vez mais pensando na bicicleta e em conhecer esse mundão pedalando. 

    Mais conectada comigo mesma, mais apaixonada pelo ciclismo e ainda mais certa de que cuidar do corpo é, antes de tudo, um ato de respeito com a própria jornada.

    Mallorca me ensinou que pedais longos não começam nas pernas.

    Eles começam muito antes. E a nutrição é um fator primordial que merece todo respeito e atenção. Se você tem treina 2 modalidades, a nutrição será a terceira. 

    Os cuidados com o corpo começam na alimentação, na hidratação, no descanso… e em tudo aquilo que sustenta a experiência antes mesmo da roda girar. E como estávamos em grupo grande de pessoas no Camp, vivemos esses 15 dias como uma amostra grátis de vida de atleta: comer, dormir, recovery e treinar.. a nutrição era um fator que todo mundo tinha extremo cuidado e atenção. 

    Os dias lá eram intensos.

    Saídas cedo, horas pedalando, subidas intermináveis, vento, calor, frio, silêncio, esforço e paisagens que pareciam irreais - coisa de cinema! 

    Em Sa Calobra, por exemplo, é uma rota bem conhecida como uma das mais difíceis, e eu entendi o que é respeitar a energia do próprio corpo.

    Cada um precisa subir no seu tempo, sem comparações, logo existiam pessoas de todos os níveis. E nesse contexto precisamos aprender que Carboidrato é nosso melhor amigo e o melhor combustível. Cada gel, cada isotônico, cada refeição tinha um destino. Porque em trechos com extrema altimetria, o corpo cobra cada segundo e depois que a motor começa a fundir, já era. 

    O jantar depois dos treinos deixou de ser só refeição virou reconstrução. Proteína, carboidrato, água, eletrólitos e descanso. Dormir bem passou a ser tão importante quanto pedalar forte. São coisas que no somatório final, irão formar o conjunto perfeito pra que seguíssemos firmes para pedalarmos por tantos dias em um ambiente que não se tem hábito, no meu caso - as montanhas. 

    Mallorca mudou minha visão sobre nutrição esportiva porque me mostrou, na prática, que cuidar do corpo não limita a experiência.

    É justamente o que permite viver tudo com intensidade. E voltar pra casa com a mala cheia de vivência pra levar ciência na prática, para cada paciente, foi extraordinário. 

    E talvez seja isso que mais ficou comigo de lá:

    a sensação de que performance e prazer podem existir juntos.

     

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