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    Por um ciclismo mais (h) enriquecedor

    Me recordo de um dia que recebi um convite para entrevistar o bicampeão mundial de maratona, pouco depois de ele conquistar o seu primeiro título, ainda antes dele conquistar o segundo. Era 2019.

    Convidei um videomaker para registrar aquele conteúdo riquíssimo, precisava ficar impecável, não podia ser feito no celular como de costume. Enquanto ele arrumava os fios das 4 câmeras que instalamos para a ocasião (excesso de zelo da nossa parte), passava um menino de uns 12 anos no fundo do cenário. Foi e voltou umas 3 vezes.

    Eu ia avisar que não era pra passar ali porque a gente ia começar a gravar, mas eu conhecia o moleque e vi que ele tava curioso com a parafernalha e com o rockstar que já estava sentado na cadeira.

    Dito e feito. Quando o Henrique Avancini já estava com o microfone instalado, o molequinho passou de novo e fez questão de dar um tchauzinho para o ícone daquela noite.

    - Fala aí meu Xará!! – devolveu o Avancini para aquele pedacinho de gente que só queria tietar um pouquinho o melhor do mundo.

    O Henrique Avancini já conhecia o outro Henrique que tava ali e até conversou um pouquinho mais além dos cumprimentos que descrevi aqui.

    Eu preciso falar o sobrenome daquele pirralho de 2019?

    As vezes eu me pego pensando como é ser criança em plenos anos dourados do Henrique Avancini, crescer, ter a oportunidade de disputar uma prova com ele, vencer, e ainda estar 100% ciente de que os anos dourados do Henrique Avancini ainda estão em andamento.

    Algo muito parecido aconteceu com o Henrique Avancini quando ele venceu o Hermida. Uma lenda do esporte que ele já conhecia desde que era criança, teve a oportunidade de virar elite e dar na cabeça do cara. Inclusive, falamos sobre essa vitória naquela entrevista.

    De verdade, o esporte é muito bonito e nos proporciona cenas e aprendizados que fogem de qualquer situação que jamais imaginávamos, mas, ver o Henrique Bravo ganhar uma prova ao lado do Henrique Avancini me deu uma perspectiva muito maior do que o esporte é capaz de nos proporcionar. Muito, muito mais do que eu pensava.

    Você sabe qual foi um dos argumentos que mais escutei o Henrique (Avancini) falar em suas entrevistas, inclusive nessa de 2019?

    Ele sempre falou que nunca ganhou medalhas de copas do mundo e campeonatos mundiais na categoria Junior. Esse sempre foi o argumento dele para explicar que seus resultados mais importantes apareceram de certa forma, tardios.

    E o Henrique Avancini sempre falou também sobre os infinitos projetos que ele carregou em paralelo à sua vida de atleta profissional. Ele é um dos poucos atletas desse nível que produz um volume de conteúdo tão alto. Toca equipes de base, dá mentoria, se fantasia de idoso no Letape, vai em Belo Horizonte pouco depois de vencer o mundial e aceita dar entrevista para um desconhecido, bate papo com um moleque que tava tietando...

    A explicação dele para todas essas atividades paralelas, que possivelmente o tiram do foco de treinar, competir e descansar, era que ele queria deixar um legado.

    Não queria criar um boom de vitórias e depois sumir, deixando o ciclismo órfão.

    Aí eu me lembro daqueles minutinhos de conversa que ele teve com aquele pequeno fã que estava tietando a gravação.

    Foram milhares de ciclistas que ficaram perguntando por aí “quem seria o próximo Henrique” durante esses anos que separam o seu primeiro título mundial de XCM até os dias de hoje. Pois acho que ja está respondido.

    O Henrique Bravo (para os desavisados, é o pirralho dessa história), se destoa do Henrique Avancini em alguns pontos. O Bravinho já ganhou coisa importante na Junior, diferente do Avancini.

    As semelhanças? Ambos começaram no MTB e decidiram ir pro ciclismo de estrada. Outra coisa é que os dois fizeram um barulho enorme nesse último Tour du Rwanda, chamando atenção mundial para o Brasil, mas só um deles conseguiu vencer uma etapa – ainda por cima escapado.

    Que eu me lembre, essa foi a vitória brasileira em provas de ciclismo de estrada mais importante dos últimos 34 anos. Antes disso, só o Mauro Ribeiro no Tour de France, em 1991.

    Mauro Ribeiro? Peraí.

    Qual é o resto do nome do Henrique Bravo? Desculpa, preciso parar de escrever, já está virando teoria da conspiração.

    Que fique registrado: mais do que vencer provas e proporcionar histórias tão bonitas, o Bravinho é o atleta mais alto astral do mundo.  

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    4 comentários

    Realmente o Henrique Bravo vem se destacando desde muito novo, ver a evolução dele realmente é surpreendente e estaremos sempre na torcida e na expectativa, belo texto meu líder Breno.

    Michel Ssder

    Ótimo conteúdo, vale demais a leitura

    Cássios

    Parabéns Brenao!! Belo texto

    Antônio Carlos Freitas Júnior

    Belíssimo texto Breno!
    Que meu xará de sobrenome nos dê ainda muitas alegrias!

    Bruno Bravo

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