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    A etiqueta do ciclismo não mente

    É a história mais antiga do mundo que speedeiro não dá bom dia. Sempre disseram que o pessoal do mtb é mais educado.

    De um lado dizem que a pessoa que curte natureza é mais feliz e sociável. Do lado de lá, dizem que uma atividade em alta velocidade tem menos espaço para socializar, mas que fora da bicicleta a relação dos espideiros é similar à de seres humanos convencionais.

    Algo me diz que a gente se perde um pouco no personagem quando alguma atividade dita o ritmo da nossa vida.

    Por exemplo, um skatista não é um cara que apenas pratica a atividade de andar de skate – ele veste as roupas, gírias e comportamento daquela atividade. Um metaleiro não é só um cara que escuta um determinado estilo musical, mas é um cara que desde os filmes, corte de cabelo e proibição de quase toda a escala cromática funciona com um limite muito bem definido em sua vida. Quase que dá pra falar quais matérias cada um deles tinha dificuldade na escola.

    Se você é ciclista, desses que cumprimenta os outros ciclistas na rua e acorda 5 da manhã, já é suficiente pra gente fazer um breve diagnóstico, inclusive psiquiátrico. É bem capaz que o TDAH seja o primeiro deles, mas isso não vem ao caso.

    Cumprimentar o outro ciclista que passa no sentido oposto vem de uma cultura de um esporte que não era praticado por muitos, o que criava o sentimento de que as vezes você era o único fazendo aquela bizarrice. Não necessariamente pedalar, mas usar aquelas roupas, gastar tanto dinheiro em um esporte, se virar na loucura do trânsito e por aí vai.

    Identificar que um completo desconhecido divide estes mesmos hábitos raros que você é uma pequena coincidência do dia a dia que merece ser celebrada com um “bom dia”. Em Minas dizemos apenas “bão”.

    E quando a gente deixa de cumprimentar, talvez não seja por falta de educação ou por que estamos com um treino pesado e de alta velocidade para cumprir. Pode ser apenas pelo sentimento de que nos dias de hoje tem mais gente praticando a mesma atividade. Será que deixa de ser raro e perde o sentido o bom dia – seja ele no meio da trilha ou na rodovia movimentada?

    Nas corridas de bike, com 2 mil pessoas alinhadas a gente realmente não cumprimenta todo mundo, só os que a gente já conhece mesmo, então faz um pouco de sentido.

    É tipo ir conversar com quem tem um cachorro da mesma raça que o seu. Não é só o esporte que nos une, mas parece que andar de bicicleta me fez socializar com milhares de desconhecidos por aí.

    Talvez o oposto também seja verdadeiro. As vezes a gente briga com os motoristas no trânsito (e eles com a gente) não por que eles fizeram algo realmente ruim, mas por que imediatamente um viu no outro uma imensa diferença de hábitos, costumes e estilo de vida. Já é motivo pra se pensar que o cara é de outra tribo e o inconsciente trata isso como se ele fosse de outro planeta.

    Aquele motorista não precisa ser ciclista pra te respeitar, mas se ele soubesse que você tem um cachorro da mesma raça que o dele, talvez já fosse o suficiente. Ou então saber que vocês são fãs da mesma banda tosca de heavy metal dos anos 90.

    Não é que o espideiro não cumprimenta o mtbiker. Talvez os dois já criaram uma diferença tão grande quanto do motorista de caminhão e o motoqueiro. Ou o fã de metal e o pagodeiro.

    Preciso parar de escrever, tem um mala passando de bike elétrica na minha rua, tchau.

     

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    1 comentário

    Estou com crise existencial agora, porque sou a speedeira, minto, a triatleta de bike TT que cumprimenta todo o mundo mas reclama horrores da bike elétrica.

    Paula

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