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  • VOCÊ SABE TREINAR NO CALOR? APRENDA COMO MANTER A SAÚDE E O DESEMPENHO NOS SEUS TREINOS EM CONDIÇÕES DE ESTRESSE TÉRMICO

    VOCÊ SABE TREINAR NO CALOR? APRENDA COMO MANTER A SAÚDE E O DESEMPENHO NOS SEUS TREINOS EM CONDIÇÕES DE ESTRESSE TÉRMICO

    O aumento da temperatura ambiente combinado com o exercício físico resulta em estresse térmico adicional, o qual demanda uma resposta eficiente do organismo para manter a homeostase térmica – regular a temperatura interna do corpo com base na temperatura externa.

    Como consequência o estresse térmico durante o exercício interrompe que estes processos homeostáticos sejam feitos de forma eficiente, levando à hipertermia, hipohidratação, distúrbios do sódio e, em alguns casos, doenças causadas por esforço no calor mais severas.

    A termorregulação é o principal mecanismo para manter a temperatura corporal normal do corpo em ambientes quentes, e envolve alterações fisiológicas como vasodilatação periférica e aumento da sudorese para dissipar o calor gerado durante o exercício. Geralmente atletas bem condicionados apresentam mecanismos de termorregulação mais desenvolvidos, que garantem um desempenho otimizado durante a prática esportiva nestas condições (CALEGARI; DE SOUZA, 2023).

     

    E o que é considerado estresse térmico no exercício?

    Acima de 26ºgraus é considerado um clima quente e estressante para o organismo junto a prática esportiva e o processo de hidratação pode não ser suficiente para garantir as condições ideais de desempenho no treinamento. Ou seja, acima de 26º não há garantias que apenas uma nutrição e hidratação corretas irão resolver as consequências fisiológicas do treino realizado em condições de temperaturas elevadas.

    Um estudo de Périard et al. (2021), mostrou a distribuição estimada do débito cardíaco durante o exercício incremental em ambientes temperados (26°C) e quentes (43°C) e sua consequente influência na capacidade aeróbia máxima (figura 1). O exercício incremental até a exaustão no calor após o aquecimento do corpo está associado a uma maior redistribuição do débito cardíaco para a pele e a uma frequência cardíaca elevada para qualquer nível de consumo de oxigênio (ou seja, na taxa de trabalho ou na bicicleta mensuramos a potência). A resposta elevada da frequência cardíaca é influenciada pela retirada do fluxo parassimpático, aumento da atividade neural simpática cardíaca e o efeito direto da temperatura do sangue no nó sinoatrial.

    O resultado dessa elevação na frequência cardíaca é a obtenção da frequência cardíaca máxima a uma taxa de trabalho ou potência mais baixa do que em condições frias, o que, juntamente com um menor volume sistólico, leva à diminuição do débito cardíaco máximo, forçando o sistema cardiovascular a um limite funcional no que normalmente é uma taxa de trabalho submáxima. 

                   Referência da imagem: (PÉRIARD; EIJSVOGELS; DAANEN, 2021)

     

    Ou seja, o aumento da temperatura externa aumenta a atividade metabólica e gera uma demanda adicional que, ao invés da potência ser entregue para gerar mais potência no seu treino, por exemplo na bike ao empurrar o pedivela, parte desta energia é perdida para que o corpo possa manter uma temperatura interna compatível com a própria vida, resultando em menos energia para a pedalada.

    Além disso, mesmo quando o corpo já está desidratado é possível verificar uma associação negativa ainda maior quando o treino é realizado em altas temperaturas. Uma revisão de 8 publicações relevantes observou que um nível de desidratação de 4–5% reduziu o consumo máximo de oxigênio (VO2max) maior em um ambiente quente (−9 a −27% quando Temperatura ≥ 30 °C) do que em um ambiente frio ou ameno (−3 a −7% quando temperatura estava 15–26 °C). As consequências dessa desidratação incluíram um menor tempo de exercício até a exaustão, uma redução obrigatória na intensidade do exercício ou ambos (ARMSTRONG, 2021).

     

    Ainda assim uma definição simples de "estresse térmico" não é possível já que a tensão de calor em uma faixa de diferentes temperaturas do ar varia de acordo com a atividade e as roupas/equipamentos usados, bem como a exposição solar predominante, umidade e velocidade do vento. As estratégias em roupas especificas, hidratação e aclimatação devem ser adotadas em todos os casos.

     

    Sabendo disso, o que é possível fazer para auxiliar a prática esportiva em dias quentes?

    Para minimizar o armazenamento de calor e evitar aumentos excessivos da temperatura central, os humanos vasodilatam e suam, isso é fisiológico. Elevações na temperatura central (temperatura do core) de >0,2 °C podem provocar vasodilatação cutânea, direcionando um volume maior de sangue para a pele para redistribuir o conteúdo de calor e aumentar a perda de calor convectiva e radiativa à medida que a temperatura da pele aumenta (CRAMER; JAY, 2019).

    Se a temperatura ambiente permitir que a taxa de evaporação do suor equilibre a produção de calor, a temperatura central atingirá um platô elevado, mas geralmente seguro. No entanto, quando a produção de calor excede essa capacidade, a temperatura corporal continuará a aumentar em um estado conhecido como estresse térmico incompensável.

    Neste sentido é possível também afirmar que quando a temperatura externa está elevada já há uma propensão a problemas gastrointestinais, bem como a possibilidade de suplementar fica limitada ao uso de líquidos como os isotônicos ou as bebidas ricas em carboidrato, isso porque a energia que seria destinada para digerir e absorver também estará comprometida ao passo que o corpo está em processo de tentar reestabelecer a homeostase térmica.

    Esse fato está confirmado ainda por Cramer & Jay (2019) onde é possível verificar que o exercício prolongado em condições ambientais quentes, podem resultar em uma temperatura central ≥39,0 °C, o que exacerba as perturbações na integridade gastrointestinal, função e respostas sistêmicas em comparação com o exercício em condições mais frias.

     

     

     

     

     

     

    Considerando o exposto, trouxemos aqui como você pode se preparar melhor nos treinos realizados em dias quentes com dicas nutricionais e um bônus

     

    Estratégias para ingestão de líquidos e eletrólitos antes, durante e após o exercício

    Pré exercício: A  carga aguda de sódio (20–40 mg/kg de sódio, com 10 ml/kg de água) 1–2 horas antes do exercício pode auxiliar a termorregulação durante o exercício no calor. Ainda há estudos que mostram que ingerir raspadinha ou tomar um sorvete de frutas pode ser uma experiência adequada para auxiliar a regular a temperatura interna do core.

    Durante o exercício: Ainda há muita discussão sobre o que deve ser feito durante o exercício longo, em especial com relação ao sódio. Mas uma conduta simples seria consumir 150 a 200mL de água a cada 20 minutos sempre adicionada de ao menos 300 a 600mg de sódio por hora. Bebidas mais frias (<22 °C) tendem a aumentar a palatabilidade de fluidos e o consumo voluntário durante o exercício segundo Burdon et al., (2012), enquanto o consumo planejado de bebidas frias (<10 °C) ou geladas pode transmitir benefícios perceptivos ou de desempenho adicionais quando o exercício é realizado em condições ambientais quentes

    Após o exercício: Pode ser necessário beber um volume de até 150% do déficit líquido para contabilizar as perdas contínuas de fluidos durante as horas do exercício. No entanto, o ambiente pós-exercício (ou seja, acesso a alimentos/bebidas), requisitos imediatos para outros fins de recuperação (por exemplo, reabastecimento e adaptação) e metas gerais de composição corporal são considerações contextuais importantes. Beber grandes volumes de líquidos pode ser um desafio a curto prazo, especialmente se o atleta tiver experimentado tensão termorreguladora significativa ou comprometimento da integridade/função gastrointestinal durante o exercício. Ainda é possível adicionar eletrólitos para garantir a máxima eficiência no reequilíbrio hídrico, podendo ser feito assim como o pré-exercício, adicionado uma carga aguda de sódio de 20-40mg/kg.

     

    Bônus de estratégias para o seu treino no calor

    Ainda é possível experimentar estratégias complementares junto ao treinador e ao médico do esporte como aclimatização ao calor, com treinos e protocolos específicos que auxiliem o atleta a chegar com bom preparo em provas mais quentes, longas e extenuantes. Outra estratégia é utilizar roupas claras, capacete claro e ventilado, ainda durante o treino despejar água gelada no tronco e na região da nuca – evite fazer isso diretamente nas pernas. Muitos atletas profissionais ainda utilizam coletes imediatamente antes da prova durante o aquecimento justamente para auxiliar na regulação da temperatura do core.

    E durante suas pedaladas mais quentes e extenuantes, vá de Jersey branca ou de cores claras IQ, aproveite essas dicas e aplique também ao seu vestuário. As roupas claras e, em especial a cor branca, auxiliam no controle térmico, já que absorvem menos energia. O tecido das Jerseys da IQ também são projetados para auxiliar no processo de regulação térmica do corpo.

     

     

    Não se esqueça de comentar o que achou do texto e das dicas, comente sua experiência real aqui abaixo!

     

    REFERENCIAS

    ARMSTRONG, L. E. Rehydration during endurance exercise: Challenges, research, options, methods. Nutrients, v. 13, n. 3, p. 887, 2021.

    BURDON, C. A. et al. Influence of beverage temperature on palatability and fluid ingestion during endurance exercise: a systematic review. International journal of sport nutrition and exercise metabolism, v. 22, n. 3, p. 199–211, 2012

    CRAMER, M. N.; JAY, O. Partitional calorimetry. Journal of applied physiology (Bethesda, Md.: 1985), v. 126, n. 2, p. 267–277, 2019

    CALEGARI, A.; DE SOUZA, R. M. TERMORREGULAÇÃO E DESEMPENHO ESPORTIVO EM CONDIÇÕES DE CALOR EXTREMO. Anais do EVINCI - UniBrasil, v. 9, n. 2, p. 404–404, 2023.

    PÉRIARD, J. D.; EIJSVOGELS, T. M. H.; DAANEN, H. A. M. Exercise under heat stress: thermoregulation, hydration, performance implications, and mitigation strategies. Physiological reviews, v. 101, n. 4, p. 1873–1979, 2021

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    2 comentários

    Muito boas as informações é simples colocações que podem impactar profundamente no resultado de recuperação e performance

    Angelo

    Sensacional!

    Fred anyia

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