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    Óculos de ciclismo: lentes polarizadas X fotocromáticas

    Quando falamos de óculos para a prática de ciclismo e MTB precisamos entender que não é um simples acessório para aumentar a sua performance, estilo ou conforto. Trata-se de um EPI (equipamento de proteção individual), onde certamente está em jogo questões de saúde e de segurança.

    O assunto da proteção UVA e UVB presente nas melhores lentes (e ausente nas piores) já é um pouco batido, portanto hoje vou trazer os prós e os contras das lentes polarizadas e também das fotocromáticas.

    Para quem não conhece, a tecnologia de lentes polarizadas se espalhou pelo mundo como a melhor opção para uso em ambientes com alta incidência de luz e brilhos altos – em outras palavras, virou uma “ótima opção” para atletas. Calma que nós ainda vamos derrubar isso aí.

    A lente polarizada tem a incrível capacidade de apagar aqueles brilhos excessivos que existem em qualquer paisagem externa. Por exemplo aquele mar cheio de pequenas ondinhas que cada uma delas cria um reflexo e te deixa meio cego.

    Não é propaganda enganosa não, é realmente uma tecnologia que modifica de verdade esses reflexos.

    Um lugar com neve também é praticamente cheio desses pontos de brilho alto.

    Um vidro de um carro que reflete um ponto forte de sol e te dá aquela machucada no olho, a lente polarizada consegue resolver aquele reflexo de forma pontual, sem precisar escurecer todo o resto do ambiente.

    Isso é ótimo por exemplo para um surfista, a vista dele vai ficar bem menos cansada com todos aqueles pontos de luz excessivas

    Mas pensa agora em quem anda de bicicleta, será que um ponto de água que reflete uma luz forte é algo que você quer deixar mais apagado?

    É claro que não. Se você vem pedalando em uma rodovia e lá no final da curva aparece uma mancha de óleo, você quer que ela tenha o maior destaque possível, se ela puder brilhar e chamar sua atenção é o melhor dos mundos, mesmo que isso dê uma pequena cansada na sua vista!

    Não é só pra quem anda no asfalto: sabe quando você está em uma trilha e vai passar por uma pedra e lá em cima tem aquele lodo, alguns chamam de brioso, que é só passar por cima e você toma um escorregão monstro? A lente polarizada faz aquele brilho do lodo ou da fina camada de água sumirem da sua vista como mágica.

    É super confortável pra vista, mas extremamente perigoso pra quem pilota uma bicicleta, carro ou moto. Sim, um motorista de carro precisa enxergar uma poça de água, de óleo ou um capacete que tá la longe com aquele brilho bonitão do sol.

    É por isso que os óculos polarizados podem ser bons para alguns esportes como surf, pesca, paraquedismo, mas ruim para ciclistas, motociclistas e outros que não são do meu conhecimento.

    Minha dica pra manter uma boa equação de segurança versus conforto no ciclismo é abandonar as lentes polarizadas e apostar nas lentes FOTOCROMÁTICAS, aquelas que mudam de cor quando você entra em um ambiente mais escuro ou mais claro.

    No sol forte ela fica mais escura, mas sem ocultar os brilhos excessivos de água e óleo. Quando você entra na sombra, tipo uma mata fechada, a lente fica mais clara e você não vai sentir aquele apagão que sente com uma lente escura.

    E se sair pra pedalar a noite pode confiar, ela fica totalmente clara.

    Nas imagens acima, o mesmo óculos fotocromático clicado em situações diferentes, com diferentes exposições solares.

    Muito se discute hoje sobre a importância de não usar uma lente muito escura o tempo inteiro até por uma questão de saúde, nós precisamos de exposição solar ao longo do nosso dia – mas isso é uma conversa ainda mais longa que vou deixar pra um outro dia.

    Por enquanto, é só repetir o mantra: ciclista não usa polarizado, usa fotocromático!

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