• Início
  • Journal
  • Tecnologias que deram errado no mercado da bike
  • Tecnologias que deram errado no mercado da bike

    Tecnologias que deram errado no mercado da bike

    Nem toda inovação é boa. Confira uma lista de itens que não funcionaram para o mundo do ciclismo

    Por Breno Bizinoto

     

    Nesses dias falei sobre o quanto é importante inovar e aceitar as novas tecnologias que entram no mercado. Mas, que fique bem claro, nem tudo são flores e algumas revoluções tecnológicas acabaram virando uma furada, caíram no esquecimento ou foram usadas de forma incorreta por tentarem prometer mais coisas do que cumpriam.

    Essas tecnologias, quando foram colocadas em prova pelos consumidores, revelaram alguns problemas. Outras, nunca chegaram a serem consumidas em larga escala e nem tiverem testes reais bem feitos. Algumas até, só existiram em rumores. Confira a lista:

     

    Suspensão invertida

    Em meados de 2013 a Specialized lançou uma S-Works equipada com uma Rock Shox invertida. Se bem me recordo, a peça saiu do catálogo em menos de dois anos. Um fracasso total. Quais foram os problemas:

    A suspensão invertida coloca as hastes – a parte mais sensível do conjunto – em uma posição mais exposta a sujeira, pancadas e pedras voadoras, diminuindo muito a vida útil do sistema.

    Além disso, o óleo tende a descer pelos retentores, que ficam sempre de cabeça para baixo, em uma posição “anti-gravidade”.

    Outro problema é que ficava bem mais chato na hora de remover e colocar a roda dianteira da bicicleta, pois exigia que você alinhasse as hastes. Além disso o sistema pedia um cubo próprio, criando incompatibilidade com os sistemas de rodas convencionais.

    Sim, eu sei que nas motos as suspensões são invertidas, mas tudo indica que isso não funcionou bem para o mundo das bikes.

    Eu sei também que as suspensões Lefty são invertidas, mas elas têm uma razão óbvia para isso, pois têm uma haste só – e não, eu não acredito que elas sejam as suspensões mais estáveis do planeta.

     

     

    Cassete 9 dentes

    Tá aí um negócio que as pessoas só encontram em sites de procedência duvidosa. Cassete de 9 dentes já existe fazem MUITOS anos, desde que foi inventado o primeiro sistema de 2×10. Sim, bem antes do 1×12. E mesmo assim, nunca vingou e nunca foi fabricado em larga escala.

    Acontece que, uma engrenagem tão pequena começa a ser um problema no quesito da estabilidade do sistema. Além disso, a corrente precisa se dobrar muito para abraçar essa engrenagem tão pequena, aplicando força em uma área de contato pequena (pois são poucos dentes), o que perde a eficiência da força.

    É algo meio difícil de entender, mas que já realizaram estudos físicos e comprovaram que a perda da eficiência é muito grande, logo, a melhor solução é manter o sistema mais robusto, aumentando o tamanho da coroa quando necessário, ao invés de reduzir o do cassete.

     

    Câmara de ar ultra leve e transparente

    Cara, que furada, literalmente. Meados de 2010 e todo mundo só falava nisso. A tal da câmara de ar transparente, além de ser muito mais leve, poderia ser remendada colocando fogo no local do furo para ela derreter e remendar sozinha. Aí todo mundo parou de levar kit remendo e começou a andar com um isqueiro na trilha.

    Acontece que aquela porcaria furava toda hora, com qualquer coisa. Furava inclusive sem nada. Vi relatos de pessoas que estavam em casa dormindo e escutaram, no meio da noite, um barulho de pneu esvaziando. Assim, do nada. A super câmara de ar havia furado sem motivo nenhum. Ou talvez foi uma picada de mosquito?

    E o tal do remendo com isqueiro funcionava mais ou menos. Gambiarra pura.

    Assim, as pessoas voltaram a usar câmaras de ar convencionais, mas algumas ainda insistiram em levar aquela câmara transparente como câmara reserva, mas logo todos viram que nem para isso ela prestava.

     

    Suspensão Lauf

    É bonita e aparece em uns vídeos maneiros do instagram, músicas boas etc. O mercado absorveu? Nunca.

    Nem pro gravel, nem para as bikes urbanas, eu nunca vi. Pode ser que fora do Brasil exista um movimento maior delas, mas bem menor do que prometia quando vimos os vídeos pela primeira vez e pensamos que o sistema de suspensão de hastes seria substituído. Sem chance.

     

    Fatbikes

    Sim, elas ainda existem com força total e tem seus usuários fiéis. Nós demoramos um pouco para entender que elas são sim as melhores bikes para pedalar na areia e na neve. De fato, imbatíveis.

    Acontece que, quando surgiram, falava-se que seriam melhores para tudo. XCO, XCM etc. A fatbike iria performar muito melhor – era o que diziam. Lembro de um espanhol que ficou em segundo lugar no Ironbiker 2011 com um Fat. Aquilo soou com uma promessa de que todos usariam fatbikes e seriam mais velozes com elas.

    Durante um breve período, organizadores de corrida criaram categorias especiais para fatbikes, mas logo essa tendencia morreu.

    Hoje elas cumprem o seu papel real, sem falsas promessas: diversão e pilotagem de qualidade na areia e na neve, somente!

     

    Aro 27,5

    Quando o aro 29 ainda estava em xeque, o 27,5 surgiu como uma opção alternativa. Em 2012 Nino Schurter venceu uma etapa de Copa do Mundo em uma bike aro 27,5. A promessa foi muito grande, principalmente por que existia o boato da possibilidade de conversão. Teoricamente, era só comprar as rodas 27,5 e colocar em um quadro 26 (ou mesmo no 29), que tudo funcionaria perfeitamente. Grande mentira.

    Hoje, as bikes 27,5 se limitam em maioria aos modelos de enduro, ainda dividindo opiniões entre os pilotos. No meio do XC, podemos dizer que essa tendência está praticamente morta.

     

    Relação de Vira Brequim da Ceramic Speed

    Ok, temos aqui um caso único de algo que foi muito bem apresentado por uma empresa muito séria. A ideia da Ceramic Speed era fazer uma das maiores mudanças já vistas nas bicicletas, mas para a alegria do nosso bolso, não deu certo. A proposta deles era substituir todo o sistema tradicional de relação que temos na bicicleta: corrente, cassete e coroas não existem no novo sistema proposto pela Ceramic Speed. Tudo seria substituído por um conjunto de eixo de transmissão de força, um vira-brequim.

    Eu recebi os vídeos e fotos disso durante muitos anos, se não me engano, a primeira vez que vi imagens desse protótipo já faz uns 10 anos. Acontece que, eles nunca conseguiram lançar essa tecnologia no mercado.

    As incongruências do produto, ao meu ver, são:

    1 – O sistema parece ser instável quando exposto à sujeira. Qualquer barro deve travar completamente isso aí.

    2 – Dificuldade de encaixar o sistema em bikes convencionais, obrigando que os fabricantes de bicicletas atualizassem os seus projetos.

    3 – Fisicamente, deve existir alguma torção no sistema, que deve obrigar que os quadros sejam mais rígidos em alguns pontos, o que vai exigir um árduo trabalho por parte dos fabricantes de quadros para isolarem os riscos de ruptura.

    Talvez esses sejam os reais motivos que obrigaram a empresa a postergar o lançamento do produto. Eles alegam que estão em fase de captação de recursos para financiar o projeto, que parece estar sempre na cara do gol, mas nunca lançado.


    Deixe um comentário

    Os comentários precisam ser aprovados antes da publicação.