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    Downsize: A tendência de diminuir o tamanho dos quadros funciona?

    Na última década alguns profissionais adotaram a técnica de diminuir o tamanho dos quadros, migrando do tamanho L para o M, ou do M para o S. Será que essa redução é saudável?

     

    Downsize é o termo utilizado para se referir à diminuição do tamanho do quadro da sua bicicleta. Diferente do que algumas pessoas pensam, não é simplesmente analisar o que o seu bike fit tradicional te recomenda e, indeliberadamente reduzir um número, sem observar outros parâmetros.

    Acontece que, as bikes mais atuais (dos últimos cinco anos pra cá) seguiram uma tendência de alongar o top tube e compensar reduzindo a mesa. Isso vem com a proposta de melhora de pilotagem, mas criou certa desordem nas regras de bike fit tradicional que estávamos acostumados, fazendo com que essas bikes alongadas ficassem um pouco grandes para alguns pilotos. Não todos.

    Outro ponto a ser observado é que alguns ciclistas não têm uma medida exata e muito fácil de determinar, vivendo na dúvida de qual é o tamanho da bike correta para eles. Muito frequentemente, os profissionais de bike fit dizem: “O seu quadro ideal é o M, mas suas medidas estão muito próximas do P” ou então: “O Seu quadro ideal é o L, mas o M também funcionaria bem”. Ou seja, as vezes “tanto faz”. A teoria do downsize diz que nesses casos, devemos arredondar para baixo.

    Você já deve saber que a escolha do tamanho de um quadro não se baseia somente na estatura do piloto, mas em várias outras medidas do seu corpo. Da mesma forma, a bike a ser escolhida também não depende unicamente do tamanho apresentado (S, M, L, XL, XXL…), mas também de várias medidas que compõem a geometria daquele quadro. Em outras palavras, o tamanho Small da Specialized pode ser bem diferente do tamanho Small da Scott, entenderam?

    Então, se a gente pegar um atleta que está nesse limbo da dúvida do tamanho entre dois quadros, podemos nos basear na teoria do downsize para tomar a decisão de arredondar o tamanho do quadro sempre para a menor medida, nunca para a maior. Isso por que, teremos uma bike menor, logo, mais ágil. Sim, funciona muito bem e já observamos excelentes resultados em atletas que aderiram à técnica.

    Aquela tendência que as bikes tiveram de alongar os seus top tubes confirma ainda mais essa metodologia, pois as bikes acabaram “crescendo” em um de seus eixos.

    O problema é que muita gente quebrou a cara tentando pilotar bikes que eram visivelmente pequenas para a sua estatura, por pensarem que o downsize seria um método aplicável em qualquer situação.

    Já vimos alguns casos de profissionais muito altos (que seguramente deveriam utilizar bikes L ou até XL), mas estão a pilotar bikes M, o que nos leva a crer que o Downsize é para todos, independente do tamanho. Vamos com calma.

    Acontece que, tomar decisões baseadas no que alguns profissionais fazem nem sempre é uma boa ideia. Todo campeão foge da regra, dizem.

    Francamente, nenhum médico ou fisiologista consegue explicar como alguns caras do pelotão world tour frequentemente violam as “regras do ciclismo”, por exemplo, desobedecendo às premissas básicas de um bike fit ou estabelecendo uma nova metodologia de treinamento que vai totalmente contra aquilo que já foi estudado e, mesmo assim, performam bem. Não é aqui que vamos conseguir responder como alguns campeões se dão bem em meio às suas rebeldias particulares, mas vamos deixar as estatísticas dos amadores que tentaram copiar esses profissionais rebeldes: todos quebraram a cara.

    Não vale a pena tentar copiar a dieta, treino e bike fit de alguns alienígenas.

    Lembro-me de um amigo que decidiu diminuir o tamanho da sua bike e instalar canote e mesa maiores para compensar o downsize, que era visivelmente sem fundamento, seguindo a dica de dois profissionais europeus (gigantes) que haviam vencido a Brasil Ride naquele ano (meados de 2012). O meu amigo, com a sua bike nova e reduzida, perdeu toda a sua capacidade de condução em descidas e trilhas técnicas, o que é justamente o inverso do que deveria acontecer em um downsize bem fundamentado. Ele só conseguiu pedalar bem de novo quando vendeu a tal da bicicleta, que era pequena para ele.

    Utilizo outra história verídica, de um profissional aqui do nosso circuito brasuca que também resolveu testar a tal tendência e acabou quebrando três quadros do seu patrocinador, até entender que não era um problema do desenvolvimento e fabricação dos quadros, mas sim, por adotar um downsize irresponsável. Os quadros pararam de quebrar quando ele voltou a utilizar o tamanho correto para ele – ótimo momento para falar de outros motivos que levam um quadro a se romper, concordam?

    Que fique bem claro que o downsize funcionou sim para muita gente, principalmente para aqueles que se encontravam ali na dúvida entre um tamanho e outro, mas foi uma catástrofe para os que já tinham uma medida bem determinada e optaram por seguir uma “tendência do momento”.

    Os aspectos para descobrir se o downsize é uma ferramenta adequada para você nem sempre são precisos e matemáticos, mas sempre estão à mercê de certa subjetividade, testes, erros e acertos – é o que pedem as decisões mais difíceis no nosso esporte.


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