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    Wallone, é lá que os meninos choram no Mur(o) de Huy(m)

    por Leandro Bittar

     

    A Flèche Wallonne é uma das provas mais tradicionais do calendário World Tour. Faz parte da Tríplice das Ardenas, que inclui a Amstel Gold Race e a Liège-Bastogne-Liège.  É também uma das mais óbvias. Os cerca de três minutos subindo o duro Mur de Huy sempre elege o campeão. Seus trechos com mais de 20% de inclinação tornam a subida de 1,2k interminável. Quase em câmera lenta. Raramente a vitória surge de uma fuga. A última foi com Igor Astarloa, em 2003.

    No masculino, desde 2014 (oito edições) há um monopólio entre Alejandro Valverde (4 vitórias, um segundo e um terceiro) e Julian Alaphilippe (3 vitórias e dois segundos lugares). Em 2020, nenhum dos dois correu e a vitória ficou com o suíço Marc Hirshi. Os 3 estarão na disputa deste ano, que vai contar com outros fortes candidatos, como Tadej Pogacar, Warren Barguil, Michael Woods e Tom Pidcock. Segundo colocado em 2021, Roglic está fora.

    Do tetra entre 14 e 17 ao pódio no ano passado. Terá Valverde uma última bala?

    Entre as mulheres, o domínio é ainda maior. Entre 2015 e 2021, todas as sete edições foram vencidas pela supercampeã Anna Van der Breggen. O detalhe é que ela se aposentou e agora é diretora-esportiva da sua ex-equipe, a SD Worx. Surgirá uma nova rainha do Mur de Huy e a organização colocou uma pimentinha extra. Serão duas passagens prévias por lá até o sprint final.

    Sete vezes consecutivas. Será possível alguém fazer igual?

    É tanto tempo de domínio de uma só ciclista que eu fui buscar como era o pelotão e o mundo naquela época. O Brasil ainda não tinha sediado nem a Copa, nem a Olimpíada. O último italiano a vencer o Tour de France tinha sido Marco Pantani e Matej Mohoric tinha acabado de se tornar campeão mundial sub-23 usando sua posição supertuck.

    Muita coisa mudou desde 2014, menos a classe do jovem espanhol Alejandro

    Em abril de 2014, quem venceu a Fleche Wallone foi uma companheira de equipe de Van der Breggen na Rabobank, a francesa Pauline Ferrand Prevot. A campeã do XCC na Copa do Mundo de MTB em Petrópolis ainda era uma jovem ciclista que buscava seus principais resultados na carreira e os encontrou a partir dali. Naquele mesmo ano ela se tornaria campeã mundial de estrada, meses depois venceria o mundial de ciclocross e ainda venceria o Mundial de MTB em 2015, tendo reinado nas três disciplinas por um período de 20 dias.

    Pauline abriu a coleção de grandes conquistas a partir da FW 2014

    A segunda colocada ainda era conhecida como Lizzie Armitstead. Uma mulher solteira e sem filhos. Um esboço da Sra Deignan, hoje grávida do segundo bebê e que acumulou inúmeros sucessos em provas de um dia, como Volta de Flandres, Strade Bianche, Liège-Bastogne-Liège, Mundial e a primeira edição da Paris-Roubaix. Completou o pódio daquela edição a recém-campeã da Inferno do Norte, a italiana Elisa Longo Borghini, que, inclusive, repetiu o mesmo terceiro lugar na última edição.

    Do terceiro lugar em 2021 ao título em Roubaix. Será que Elisa pode fazer o mesmo na Flèche-Wallonne?

    Até 2014, quem mandava no Mur de Huy era Marianne Vos, que alinhou para a prova com a camisa de campeã mundial e cinco vitórias no currículo. O legal é que ela ajudou Pauline a reconectar o pelotão e ainda sprintou por uma boa 6a colocação. Vale a pena assistir o vídeo resumo.

    Tá faltando alguém? Sim. Annemiek Van Vleuten era uma ciclista de 32 anos e 19 vitórias na carreira. Nada mal, mas levando em conta que hoje ela tem 39 anos e 88 vitórias, incluindo um ouro olímpico e três mundiais, ela era quase uma iniciante.

    O incrível time da Rabobank de 2014. Você reconhece a Van Vleuten na foto?

    O mais curioso sobre aquela edição de 2014 eram as equipes. Veja você se soa familiar os nomes das companheiras de equipe da Pauline na Rabobank-Liv: Lucinda Brand, Kassie Niewiadoma, Marianne Vos, Anna van der Breggen e Annemiek van Vleuten. Uma seleção que se espalhou e lidera ao menos quatro grandes equipes da atualidade.

    Pauline Ferrand Prevot já não disputa o calendário WWT desde 2018. Marianne Vos ainda se recupera do positivo para Covid e não deve correr. Isso significa que a FW feminina terá uma campeã inédita em 2022. Van Vleuten certamente sonha com essa conquista. Uma das poucas que lhe faltam. Demi Vollering (que detém o QOM do Huy no Strava com 3min54s) e Cecilie Ludwig Uttrup também querem aproveitar essa oportunidade. Pode ser o início de uma nova dinastia.

    As provas serão transmitidas pelo Star+ e também pela GCN. O feminino 6h10 da manhã e o masculino a partir das 8h.

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