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    Super talento vs super equipe? 

    Por dentro do Pelotão, por Nícolas Sessler

    Barba, Cabelo e bigode da Jumbo na Paris-Nice

    Pogacar fazendo historia na Strade Bianche

    O primeiro final de semana de março de 2022 certamente ficará marcado na história do ciclismo profissional Europeu. Sábado vivenciamos uma cavalgada histórica nas estradas toscanas de Tadej Pogacar para vencer a clássica Strade Bianche depois de mais de 50km escapado. No dia seguinte, quase que em uma resposta direta à exibição do esloveno, assistimos um massacre coletivo da equipe Jumbo-Visma na primeira etapa da Paris-Nice.

    Equipes de ciclismo funcionam como empresas. Assim como uma Microsoft ou um Google, é preciso encontrar uma vantagem competitiva ou diferencial para que sobrevivam no mercado. No caso, o principal ativo são os próprios ciclistas e seus talentos. Porém ciclistas são pessoas, com suas vontades, dúvidas, sentimentos e personalidades. Como trabalhar e utilizá-los da melhor maneira? Essa é uma arte que poucos dominam. E nesta briga quem predomina? Um “ativo” único ou a somatória coletiva de vários grandes “ativos”?

    Pogacar, o maior talento dos últimos anos?

    Desde dentro do pelotão é certo que temos grande fascínio e enorme respeito por Pogacar. A maneira com a qual ele consegue nos surpreender e vencer em diferentes terrenos e condições é impressionante e nos faz lembrar os dias de dominação do “canibal” Eddy Merckx. Porém, este respeito não vem somente pelas conquistas e vitórias, vem muito mais pela pessoa que é. 

    Tadej Pogacar tem um talento físico único, possibilitando que seu corpo suporte cargas de trabalho e intensidades por períodos que nós, “meros mortais”, suportamos por poucos minutos ou segundos. Entretanto, conheço poucos com tamanha força mental e determinação. Frente as diferentes adversidades, ele parece sempre encontrar uma maneira de se superar e encontrar uma saída. 

    Do outro lado temos à equipe holandesa, Jumbo- Visma, que desde o seu quase desaparecimento em 2012 com a saída do antigo patrocinador Rabobank, conseguiu superar a crise e se reinventar. Deu a volta por cima para crescer ano após ano até se estabelecer como a principal equipe da atualidade e uma das mais fortes no feminino. Este processo, não ocorre “da noite para o dia” e requer enorme comprometimento, profissionalismo e visão empreendedora do corpo administrativo. 

    O ambiente de trabalho e performance ao redor da equipe é único e salta aos olhos. Investiram não somente em contratar aos melhores ciclistas, mas buscaram também os melhores treinadores, médicos fisiologistas, fisioterapeutas, engenheiros, mecânicos. Formam e capacitam seus integrantes. Investem e buscam em cada um dos menores detalhes o que é capaz de melhorar e que possa fazer alguma diferença. A mentalidade vencedora e de comprometimento com o objetivo é contagiante e ajuda a criar um ciclo virtuoso onde todos conseguem tirar 110% de suas capacidades. Os ciclistas que chegam, logo conseguem subir um escalão e parecem “andar” mais. O exemplo mais recente é o do francês Christopher Laporte. 

    Recordem que o ciclismo é o único esporte individual que se corre por equipes. Este é o elemento que faz com que seja um esporte tão apaixonante e imprevisível. Uma resposta exata para o debate de hoje? A estrada nos trará ao longo de 2022 e como costuma dizer nosso amigo John Correa: “A estrada não mente!”  

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