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    Quanto custa a bike ideal?

    Já é batido dizer que “depende”, principalmente no mundo da bike, com tantas modalidades diferentes, assim como infinitos propósito que cada ciclista (comprador) pretende seguir com a sua nova aquisição.

    Alguns querem competir e desenvolver a sua performance, enquanto outros buscam apenas se divertir. Não que uma coisa seja contrária a outra, na verdade quase sempre elas se esbarram e até se confundem, mas geralmente pedem por equipamentos diferentes – ou não – pois tudo depende.

    Mas a grande dúvida quando alguém vai comprar uma bicicleta, é quase sempre a famosa “será que eu preciso disso tudo?”.

    Os iniciantes geralmente começam com aquele famoso “Quero uma bike só pra eu andar aqui perto de casa, fazer umas trilhinhas sem compromisso, quero A MAIS BARATINHA DE TODAS”, quase fazendo a sua pesquisa no setor esportivo de um supermercado.

    Demoram um tempo até entenderem que a mais barata pode ser o famoso “barato que sai caro”, obrigando-os a trocar de bicicleta logo nos primeiros meses de uso, gastar rios de manutenção ou já começar no esporte fazendo upgrades estratosféricos. Isso se a tal bicicleta baratinha não os fizer desistir de vez da ideia de ir pedalar.

    Existe sim um investimento mínimo para quem vai comprar a primeira bicicleta, mesmo que não seja para disputar um Tour de France. Bikes muito simples tendem a desregular as marchas com mais facilidade, problema que nem todo iniciante sabe corrigir sozinho. É comum também que o sistema de marchas se arrebente por inteiro no caso de algum descuido do piloto iniciante, como deixa-lo sujo ou simplesmente por fazer uma passagem de marcha sem a condução correta dos pedais e gatilhos dos mudadores.

    Naturalmente, pneus mais baratos estão sujeitos a furos constantes, uma dor de cabeça na vida de qualquer amador ou profissional.

    No que diz respeito ao quadro, alguns modelos de bikes low cost apresentam geometria que não favorecem a pilotagem, pecando em segurança e podendo comprometer aquilo que era para ser legal. Ainda, bikes muito simples podem ter a sua resistência comprometida, portanto são ainda menos indicadas para pilotos mais pesados.

    Nem preciso dizer sobre os enormes prejuízos que podem aparecer com um sistema de freios baratinho.

    Por outro lado, precisamos entender que o mercado está recheado de opções que são muito atraentes, mas sem muita serventia para aquela pessoa que só queria gastar pouco dinheiro na sua bike.

    Não estou dizendo que os acessórios e tecnologias das bikes mais caras são inúteis, muito pelo contrário. Mas, eles jogam a relação custo X benefício da compra lá nas alturas, o que não se encaixa em qualquer perfil de comprador. Aí vale lembrar que o céu é o limite.

    De forma geral, as tecnologias inúteis não duram muito tempo no mercado, então se você está vendo uma bike consolidada e estratosfericamente cara, é por que ela deve ser muito boa.

    Falando em números, para a conversa não ficar muito subjetiva:

    Na minha opinião, as mountain bikes de entrada são a melhor opção para quem está naquela onda de ‘começar a pedalar’, ainda sem muita certeza de quais caminhos vai seguir no esporte. Costumo recomendar que as pessoas mirem nas bikes que estão acima dos R$ 2.500,00. Abaixo disso, é possível que apareçam alguns produtos que podem dar aquelas dores de cabeça e insegurança que mencionei anteriormente. Acima de R$ 7.000,00, talvez o nosso amigo já esteja investindo em uma categoria que não é a que ele começou a olhar.

    Vale lembrar que no cenário pós pandemia tem muita bike de entrada semi-nova que foi pouco utilizada e agora estão à venda. Este pode ser um bom momento para pesquisar no mercado de bikes usadas.

    Quando a pessoa fala que quer comprar uma bike nova, pois a antiga está deixando a desejar, é muito pesada e parece estar um pouco ruim de encarar uma trilha mais cascuda, costumo entender que essa é uma pessoa que já passou pelo processo de se apaixonar pelo esporte. Entendo também que ela já tem um conhecimento mínimo dos equipamentos que quer. No MTB, esse diagnóstico costuma ser de alguém que pretende dar upgrade para uma bike com canote retrátil, pneus mais largos e talvez uma suspensão traseira (acredito que essa seja a atual ordem de importância). É possível que a pessoa já esteja apaixonada por algum grupo de 12 velocidades também. Juntando todos esses elementos em uma mesma bike, é bem provável que as candidatas venham montadas em um quadro de carbono. Acredito que uma bicicleta com todos estes itens, nova, não vá custar menos do que R$ 12.000,00.

    Acima desse valor, acho que já não faz muito sentido dar muitas dicas. É que estamos falando com quem já teve duas ou mais bikes em um passado não muito distante, conhecem amigos que tem bicicletas que custam mais que o triplo desses valores e já tem certo discernimento para fazerem as suas próprias compras.

    Mas venho por último, responder aquele cara que fala que só tem mil reais e que esse é o único valor disponível para a sua primeira bike. E aí, dá pra começar a pedalar? É claro que dá.

    A bike ideal é a bike que você tem.

    Não deixe de pedalar por que a sua bike não é tão boa e leve. Desenvolva os seus conhecimentos em mecânica, seja prudente, saiba conversar com o seu equipamento e conhecer os limites que ele tem. Reserve uma graninha a mais para comprar um capacete e vá se divertir – tenho certeza que você vai se apaixonar por este esporte.


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