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  • Quando te disserem que vocês não conseguem, por Cav, prove o contrário.

    Quando te disserem que vocês não conseguem, por Cav, prove o contrário.

    Recordes foram feitos para serem quebrados, assim como regras, assim como o pré e o preconceito. Bem, eu sou um cara da década de 70, uma era em que ainda tínhamos ídolos; aliás, como é bom ter ídolos.

     

    Mark Simon Cavendish, 36 anos, natural da Ilha de Man, um arquipélago dependente da coroa Britânica, é detentor em – 12 de julho de 2021 – de 34 vitórias de etapas no tour de France, feito antes só atingido pelo Canibal, o lendário, Eddy Merckx.

     

    Quando o tour de 2021 começou, os críticos, em sua maioria, achavam uma utopia Mark Cavendish atingir essa marca. O patinho feio da vez, antes do início da prova, era detentor de 31 vitórias, sendo a primeira em 2008 e a trigésima primeira em 2016. Isso mesmo, o britânico estava há 5 anos sem pegar um leãozinho no podium do tour.

     

    Quando vi Cavendish pela primeira vez foi lá por 2010/11, quando voltei a acompanhar o fantástico mundo das “bicicreta tudo”, ele corria pela HTC – por favor não confunda com THC.

    Esses caras tinham um trem de embalagem que era absurdamente forte, ali estava sendo traçada a história de um dos maiores sprinters de todos os tempos. 

     

    Dali em diante foi uma curva de ascensão sólida, pra mim nada de meteórica – o cara foi constante durante muito tempo, praticamente imbatível, era bonito de ver como ele arrancava e não havia adversário à sua altura. A HTC acabou e o cara foi pra Quiqstep, onde reinou e venceu um mundial; deixou a equipe para se juntar aos britânicos. Ali o menino errou, deixou uma equipe forjada para embalá-lo, para ir em uma equipe grandiosa, porém nula com relação ao histórico de sprinters, a então temida SKY.

     

    O ano de 2016 assistiu suas últimas vitórias no Tour e sua primeira medalha olímpica, uma prata no ommiunm e um ouro na disputa de medison do Campeonato mundial, e então se transferiu para a equipe Dimension Data.

     

    Em 2017 veio o diagnóstico da mononucleose e, em 2018, uma depressão clínica de brinde. Cav disse ao jornal The Times que não fez uso de medicamentos no tratamento da doença, o que gera de minha parte uma admiração imensa ao homem e ao fato. Conheço bem de perto essa doença e posso falar, é ruim, difícil e haja paciência de todos a sua volta para vencer essa luta.

     

    Logo, um hiato na sua carreira foi imposto pelas condições adversas, para muitos era o fim; na realidade, para quase todos. Mas não para dois caras, o próprio Cav e para o belga Patrick Lefevere, a alma da equipe Deceuninck–Quick-Step, que mais uma vez abriu as portas e acreditou no sonho do sprinter.

     

    Bem, tá aí o resultado, dois homens na história conseguiram até agora o feito de vencer 34 etapas do Tour, o imenso Eddy e o quase esquecido Cav. Ou seja, quando lhe disserem que não é pra você, que você não consegue, cague um balde, vá e vença. O seu mundo é só seu e o do Cav, para nosso deleite, é nosso! Viva Lefevere, Viva Cavendish, “vive le tour”, viva o ciclismo.

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