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    Passando pela Eslovênia, tome um gole d’água.

    por Leandro Bittar

    Mohoric, terceiro esloveno diferente a vencer uma Monumento


    A população da Eslovênia é de 2 milhões de habitantes. Reflita comigo: ao menos sete cidades no Brasil tem uma população maior do que a desse país famoso produtor de mel de abelha carniolana, cercado por Itália, Áustria, Hungria e Croácia. Eu vou reforçar! Manaus tem mais habitantes do que a Eslovênia. Belo Horizonte e Curitiba também. Para mim, isso é muito impactante  quando associado ao sucesso esportivo do país no qual Tadej Pogacar, Primoz Roglic, Matej Mohoric (recém campeão da Milão-São Remo) são apenas alguns dos nomes que despontam por lá.

    Os eslovenos no Tour 2020: Mohoric, Polanc, Roglic, Pogacar e Mezgec celebram a primeira camisa amarela do país

    É provável que isso mude no futuro próximo, mas hoje o ciclismo não é o primeiro, o segundo nem o terceiro esporte mais popular na Eslovênia. Futebol, basquete e os esportes na neve sempre tiveram mais notoriedade no país que se separou da antiga Iugoslávia no início dos anos 90. Tadej Pogacar, inclusive, era um jovem e promissor jogador de F-U-T-E-B-O-L na infância. E não faltam exemplos de esportistas eslovenos de grande sucesso e popularidade: Luka Doncic, astro da NBA; e medalhistas de ouro em Olimpíadas: Janja Garnbret (escalada);  Tina Trstenjak (judô); Benjamin Savšek (canoagem slalom).

    Janja Garnbret: a melhor escaladora eslovena não usa bicicleta.


    Com um IDH muito alto e um amplo trabalho de preservação ambiental, a bicicleta também ganhou espaço e o resultado é o que temos visto com cada vez mais frequência: eslovenos no pódio. Em números absolutos, nem são tantos no pelote: apenas 7 nomes no WorldTour. Por outro lado, vivem um momento de grande protagonismo, levando 5 das últimas 7 grandes voltas e (forçando um pouquinho) 4 das últimas 7 Monumentos. 

    Até por ser uma nação “nova” (Primoz Roglic, por exemplo, ainda nasceu na Iugoslávia), é muito difícil lembrar de eslovenos competindo ciclismo com destaque no passado. No início dos anos 2000, entretanto, dois nomes surgiram com grande impacto e merecem ser lembrados aqui.

    Jure Robic era ídolo do brasileiro Claudio Clarindo

    Jure Robic venceu 5 vezes a Race Across America. Era venerado por ciclistas de longa distância. Morreu precocemente em 2010, ao se chocar com um carro quando saia de uma trilha em seu país. 

    Janez Brajkovic venceu o Dauphiné resistindo ao favorito Alberto Contador

    Janez Brajkovic venceu o Mundial de CRI sub-23 em 2004. Um feito inédito e que chamou atenção da principal equipe de ciclismo da época, a Discovery Channel de Lance Armstrong e Johan Bruyneel. Brajkovic era tido como possível vencedor de uma grande volta. As coisas não aconteceram bem assim na carreira dele, mas ele teve bons momentos como um título no Dauphiné, superando Alberto Contador. 

    SPOILER: O Gregario Cycling entrevistou o Janez Brajkovic, que recentemente expôs uma série de problemas de ordem emocional e alimentar. Ele agora oferece orientação para outros ciclistas que sofrem com bulimia, anorexia e outros transtornos similares, muito mais comuns entre os profissionais do que imaginamos. 

    Roglic e Pogacar rivalizam no topo do esporte e popularizam a modalidade na Eslovênia

    Voltando ao contexto, Brajkovic explica que não existe uma “máquina de Pogacar” na Eslovênia. Talvez o sucesso do jovem bicampeão do Tour até influencie uma maior adesão ao esporte. Mas hoje isso ainda é menos estruturado. O recente vídeo publicado com Pogacar sobre seus hábitos locais traz mais esperanças. O bicampeão do Tour não constrói só pelo exemplo. Coordenou o investimento da UAE (sua equipe) também no feminino WWT e desenvolve formação de base com o POGI TEAM. A Eslovênia não vai parar.  

    Assista ao vídeo: https://youtu.be/JEq4mY_zivk

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