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    O Grande Final!

    Aos amigos leitores, muito obrigado pela companhia nessas 21 etapas da Vuelta 2022. Foi uma honra e um prazer para esse limitado escritor e apaixonado por ciclismo, por bicicleta e todas as suas vertentes, contribuir com a IQ nesse projeto tão importante, de levar o ciclismo para todos: de ALTO, MEDIO ou NENHUM conhecimento.

    Infelizmente tive alguns compromissos pessoais nesse fim de semana e pude acompanhar apenas os highlights dessas ultimas etapas. Entretanto, na minha visão, elas merecem não um simples relato sobre os resultados, mas sim algumas pequenas reflexões.

    Como em “quase” todas as grandes voltas (vide Tour de France de 1989), a penúltima etapa é a decisiva para a classificação geral, e na Vuelta desse ano ela foi apenas uma confirmação da superioridade física (não quebrou) e técnica (não caiu) de Remco Evenepoel (Quick-Step Alpha Vinyl). O jovem belga conseguiu manter-se, com bastante tenacidade, na camisa de líder desde a difícil 6ª etapa, aquela que terminou na chuvosa e cheia de neblina, escalada ao Pico Jano.

    A penúltima etapa teve 181 km com quase 4000m de escaladas, divididos em 5 montanhas categorizadas. Lindas estradas arborizadas cheias de curvas e montanhas, nos presentearam com grandes disputas, desde a formação de uma fuga, até a luta pela geral.

    Depois de finalmente conseguir se destacar pelotão, o pequeno grupo de escapados conseguiu se sustentar até o fim, e de lá saiu o bravo vitorioso da etapa – Richard Carapaz (Ineos), conquistando definitivamente a camisa de Rei da Montanha da Vuelta além de sua terceira vitória de etapa – BRILHANTE!

    Na disputa que veio a seguir, dentro do grupo da Classificação Geral, Remco conseguiu controlar os movimentos de sua principal ameaça; Enric Mas (Movistar), sendo o suficiente pra selar a vitória da Classificação Geral da Vuelta 2022. A maior conquista de sua promissora carreira e a primeira vitória de grande volta da história de sua equipe, a Quickstep. Na chegada, muito emocionado, ele apenas disse:

    Entreguei aos críticos os resultados que pediram… Um ano que venci um monumento (Liege-Bastogne-Liege), venci (a clássica) San Sebastian pela segunda vez, venci duas etapas nessa Vuelta e a Classificação Geral… Por fim ainda casarei no inverno, …melhor ano que poderia imaginar

    Com todas as camisas decididas, a ultima etapa da Vuelta seria também palco para homenagear duas lendas do ciclismo que estavam na prova e esse ano vão “pendurar as sapatilhas”:

    O tubarão de Messina, Vicenzo Nibali (Astana) vencedor de quatro Grand Tours (2 Giro, 1 Tour e 1 Vuelta), três monumentos (2 Lombardia e 1 Milão San Remo) e 52 vitorias na carreira;

    Alejandro Valverde, “El Bala”, vencedor da Vuelta em 2009, com 133 vitorias na carreira sendo 4 vezes o monumento Liege – Bastogne – Liege, inúmeras clássicas (5 Fleche Wallone, 2 San Sebastian etc) uma das maiores lendas do ciclismo espanhol.

    Faltando 50 km para a chegada, todo o pelotão “tirou o pé” e permitiu que por alguns quilômetros, Alejandro desfila-se na ponta, pelo circuito dentro da capital Madrid, onde os atletas dariam 9 voltas até a chegada. Valverde foi ovacionado pela multidão em reconhecimento aos 20 anos de carreira de um dos maiores ciclistas de todos os tempos…

    Os 96 km da etapa final eram planos e a chegada em sprint certa. Curiosamente vimos Enric Mas (Movistar) atacando a meta intermediaria de sprint para assegurar sua terceira posição na Classificação por Pontos que ajudaram sua equipe – Movistar – a se manter no World Tour, a primeira divisão do ciclismo mundial.

    No sprint final, a vitória foi do embalador colombiano Sebastian Molano (UAE) que teve a liberdade por parte da equipe de embalar seu capitão, Pascal Ackermann (terceiro colocado) e se manter na briga pela vitória. O segundo lugar ficou para o excelente Mads Pedersen (Trek Segafredo) que conquistou a Camisa Verde de Sprinter além de 3 vitorias de etapas e 4 segundos lugares – EXCEPCIONAL!

    Por fim, as camisas: ROJA e Branca (melhor jovem) ficaram para o fenômeno Belga, nascido em Aalst em 2000 e ex jogador de futebol da Selecão Belga Sub 16, Remco Evenepoel – SURREAL. A sua vitória acabou com um jejum de 44 anos da Belgica, de título de Grande Volta.

    Remco, que apenas em 2017, ainda júnior, trocou o futebol pelo ciclismo (Graças a Deus) venceu 34 das 44 corridas que disputou naquele ano. Em 2018, dentre outras vitorias, sagrou-se campeão na  Estrada e no TT (contrarrelogio) da Bélgica, da Europa e do Mundo (pausa para risada).

    Em 2019 assinou com a forte equipe belga Quickstep (contrato até 2026) e com apenas 22 anos já tem 36 vitorias como profissional além varias Classificações Geral em corridas de etapas de uma semana. Exímio contrarrelogista, escalador e corredor de clássicas, Remco é o exemplo que o ciclismo de alta performance mudou e que os jovens agora dominam o ciclismo nível World Class.

    Completaram o pódio da Classificação Geral da Vuelta, Enric Mas, o capitão da Movistar (terceira vez segundo lugar na Vuelta) e o atleta mais jovem a subir num pódio de grande volta desde 1904, o espanhol Juan Ayuso (UAE Emirates) de 19 anos 360dias, em terceiro…

    A temporada ainda não acabou, teremos o Mundial de Estrada e TT no final do mês de setembro, na Australia e ainda o ultimo monumento do ano, Il Lombardia na Italia, em outubro. Gostaria aqui novamente de agradecer a paciência de todos e dizer que espero encontra-los por aí, qualquer dia desses, aproveitando a vida sobre uma bike. Foi uma grande aventura escrever sobre essa baita historia, um forte abraço.

    !Muchas Gracias por todo! Hasta la próxima chicos…

    Daniel Bahia

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