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    Música e esportes

    Sair para treinar escutando as suas músicas favoritas é uma das melhores sensações do mundo. E foi por isso que eu abandonei os fones de ouvido

    Por Breno Bizinoto

     

    Já é batido explicar que os headphones tiram a atenção e segurança dos ciclistas e eu prometo não abordar este tema por aqui. Cuidem da sua segurança como bem entenderem, mas o motivo real de eu ter parado de ouvir música durante o pedal é algo bem maior.

    Quem aqui vos fala é um cara que tem uma história de 15 anos competindo, treinando e viajando em cima de uma bike, mas no mundo da música, minha história é ainda mais antiga. Sou baixista e já me apresentei em festivais de até 9 mil pessoas assistindo.

    A sensação de descer um singletrack ou uma serra de asfalto em velocidade máxima, enquanto se escuta a sua banda preferida é uma descarga de adrenalina que experimentei pela ultima vez quando tinha meus 17 anos de idade. Quando fui treinar para o meu primeiro 12 Horas de MTB, onde eu iria precisar passar muito tempo sozinho e com um cansaço mental gigantesco, vi que aquele “doping em formato de mp3” não iria funcionar. Decidi então, não pelo quesito de segurança que todos vinham me alertando, mas para fazer um treinamento mental, que eu iria abandonar os fones de ouvido em prol de aprender a me concentrar.

    Além de ciclista e baixista, fica muito claro que sou hiperativo. É incrível como o silêncio é desesperador para quem tem esse diagnóstico. Talvez foi por isso que eu me aproximei da música antes mesmo da bicicleta. Quando você começa a pedalar sem música, parece que surgem vozes na sua cabeça, impossíveis de serem caladas.

    “Doping em formato de mp3” não é nenhuma brincadeira da minha parte, principalmente ao analisar que existe também uma dependência criada por ele. Aos poucos, sem o fone de ouvido, eu aprendi a calar aquelas vozes que ficavam me incomodando durante o pedal. Consegui largar o vício da música que me empurrava durante os treinos, alcançando um certo estado de meditação enquanto eu estava em cima da bicicleta. E o curioso é que – talvez esteja ligado com a hiperatividade – eu só consigo esse estado de tranquilidade mental quando estou em dia com os meus treinos na bicicleta. Se estou sem praticar aquilo que me propus anos atrás quando fui treinar para o 12 Horas, parece que as vozes voltam para a minha cabeça.

    Estímulos são bons e nos ajudam à concentrar ou iniciar uma tarefa, mas podem nos desviar da real intenção ou motivação que deveríamos ter para uma atividade em específico.

    A música durante os treinos é um estímulo. Estímulo que a gente busca nos treinos, mas cria uma confusão mental em quem acha que pode viver (treinar e competir) com aquele empurrãozinho todos os dias. E sim, cria-se um vício.

    E assim, você estraga duas coisas legais que existem na sua vida: tanto o esporte, quanto a música.

    Eu gosto tanto de música que, deixo para escutá-la em um momento em que eu posso me dedicar somente a ela. E gosto tanto de pedalar que, quando estou ali, abandono todas as outras tarefas, gostos e vontades. É só pedalar, sem nenhuma outra ocupação.

    Gosto tanto de música e de bicicleta que, recomendo a todos: façam um de cada vez.


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