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    Matthews “meu fio, té que enfim”

    por Leandro Bittar

     

    Assistindo a etapa 14 do Tour de France neste sábado eu comecei a pensar se é possível para Tadej Pogacar reverter os 2min22s de atraso que ele tem para Jonas Vingegaard nas sete etapas que lhes restam. Mais um dia se conclui após a épica etapa do Granon sem que o esloveno consiga iniciar sua retomada pela liderança. Nem um metro de distância cedido dinamarquês. Hoje, Pogi tentou surpreender no começo e atacou como todo mundo imaginava na subida final. Ambos sem sucesso. Ele vai continuar mantendo o suspense. E a luta. Mas hoje Vingegaard deu um golpe moral. Tá muito forte e sóbrio o dinamarquês.

    Na ausência de fotos, um print do caótico começo de etapa

    Novamente a etapa largou caótica e entre os muitos ciclistas que tentaram saltar na fuga estava Tadej Pogacar. Em um determinado momento, chegou a ficar só com dois ciclistas da Jumbo ao seu lado: Vingegaard e Van Aert. Aos poucos as coisas foram voltando ao eixo. Enquanto todo mundo esperava um novo embate entre os dois na subida final,  uma enorme escapada se formou. Como sempre, gente de todo tipo, nomes para a etapa, para a geral, para a camisa de montanha…e Michael Matthews.

    A alegria de quem venceu do jeito mais inesperado: na marra!

    O australiano, notório puncher, sempre passou bem os finais seletivos e as subidas curtas. Foi assim que ele roubou a camisa verde de Marcel Kittel na última semana do Tour de 2017. Aquele também tinha sido o último ano em que ele tinha conseguido vencer alguma etapa. Na verdade, foram duas.

    O quarteto que liderou boa parte da prova, Kron (Lotto) furou e deixou a briga pela vitória

    Talvez ele tenha se inspirado na vitória de Mads Pedersen na etapa anterior, talvez tenha se incomodado com os dois segundos lugares que ele já tinha conquistado até aqui, “perdendo” para Pogacar e para Van Aert. Fato é que voltamos a ver um ciclista com “pinta de velocista” (MM nunca foi SPRINTER PURO) tomando postura ofensiva nas fugas de média montanha. Sim, pois além da dura subida final, foram 3.500m de desnível acumulado.

    Mesmo com bom sprint, o australiano atacou para largar o rival na subida

    Matthews colocou a cara no vento, controlou ataques, ajudou na seleção entre os escapados e depois atacou sozinho na duríssima subida final. Quando Alberto Bettiol saltou do grupo perseguidor e o alcançou a disputa atingiu níveis dramáticos. Certamente passou pela cabeça dele o risco de ser segundo novamente. Tirou forças de onde nem se imagina para atacar Bettiol e cruzar a linha de chegada em primeiro. Fez tantas poses diferentes na comemoração que estava claro sua emoção. Uma vitória muito legal. De quem ataca.

    Os ataques animaram a torcida. Os gaps não vieram.

    Voltando a briga pela camisa amarela, cerca de 13 minutos depois a Jumbo e a UAE já tinham feito todo esforço possível e o embate ficou guidão a guidão entre Vingegaard e Pogacar nos 3km da Cote de la Croix Neuve. Os 10,5% de inclinação média colocaram a disputa em câmera lenta e Pogacar bateu, algumas vezes, mas não conseguiu largar Vingegaard. A camisa amarela caiu muito bem ao dinamarquês. Além de tudo, ele parece muito confiante.

    Amanhã, os dois devem ter um dia de trégua enquanto o pelotão ruma aos Pirineus. A chegada (e o dia de descanso) será na bela cidade medieval de Carcassone. Um dia muito mais tranquilo. Provavelmente, as equipes dos velocistas devem controlar a prova. Porém, o começo da etapa é propício para a formação de uma boa fuga.

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