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    Jumbo e a díficil questão que sempre cai na prova

    por Leandro Bittar

    Era só levar a etapa mais suave dessa semana e aproveitar o dia de descanso na bela cidade medieval de Carcassonne. A grande batalha nos Pirineus começa na terça-feira e a Jumbo-Visma apontava para a última semana com a faca, a camisa amarela, a verde e o queijo na mão. Porém, o time dos Países Baixos conseguiu incendiar a disputa pelo título com uma exibição complicadíssima neste domingo. Quem não tem nada a ver com isso (ou só um pouquinho) foi o belga Jasper Philipsen (Alpecin), que venceu pela primeira vez no Tour de France.

    Philipsen finalmente vence no Tour!

     

    Primeiro, esquece aquele papo de etapa tranquila, sprint massivo, nesta edição do Tour de France cada quilômetro traz alguma oportunidade e neste domingo não foi diferente. Muitos ataques e um pelotão sedento por um bom resultado e sob um intenso calor, que obrigou a organização ajustar vários critérios de abastecimento e molhar o asfalto com um caminhão pipa antes do pelotão passar.

     

    WVA exibiu sua potencia novamente. E sua saga de vices.

     

    A confusão da Jumbo começou antes mesmo da largada, ao anunciarem o abandono de Primoz Roglic. O ciclista, que vinha fazendo um importante papel coadjuvante para o camisa amarela Jonas Vingegaard, decidiu em comum acordo com a equipe se preservar para as próximas disputas. Nem deu tempo de digerir essa informação e Wout Van Aert estava na fuga do dia com outros dois ciclistas. Andou alguns quilômetros até o time mandar ele voltar em mais uma exibição da sua fonte inesgotável de força.

    As quedas marcam a história da Jumbo-Visma

     

    Com apenas dois ciclistas na ponta, a fuga nunca abriu grande vantagem e isso assanhou o pelotão. Sempre na expectativa de algum movimento importante. Tentar levar para o sprint, tentar evitar o sprint. Com tantas disputas de posição: tombos. Foram muitos. Os mais relevantes levaram ao chão ciclistas da Jumbo, como o próprio camisa amarela Vingegaard e, pouco antes, Steven Kruijswijk. Outra importante peça na engrenagem. O único neerlandês da equipe não conseguiu seguir na prova.

    Sem conseguir tirar tempo, Pogacar ganhou um novo ânimo na briga pelo tricampeonato

    Do status de “possível melhor equipe de todos os tempos ao redor de um líder cheio de confiança”, o time terminou uma etapa teoricamente tranquila com apenas cinco nomes para ajudar Jonas Vingegaard nas três batalhas nas montanhas que separam a França da Espanha. Kuss, Benoot e Hooydonck já tomaram muito tempo nesta etapa. Descanso? Desgaste? Os dois. Se a confiança era plana, abalou um pouco.

    O melhor embalador do pelotão deu um show de dignidade ao completar a etapa 12min acima do tempo

    Para piorar o clima, Wout Van Aert foi novamente frustrado em um sprint. Ficou em segundo, superado por Jasper Philipsen, que vinha de 8 pódios frustrados nas duas últimas edições (4x 2o , 4x 3o). Curiosamente, na mesma cidade de hoje, Carcassonne, ele foi terceiro em 2021. Foi o dia que Mark Cavendish igualou o recorde de 34 vitórias de Merckx. O segundo naquela data foi o embalador do Cav, Michael Morkov, que hoje fez os 202 km praticamente solitário e cruzou a linha fora do tempo limite.

    A semana terminou com Pogacar de branco; Vingegaard de amarelo;Van Aert de verde e Geschke de bolinhas. E o Tour?

    Nesta segunda-feira é dia de descanso e o pelotão volta para o último sprint até Paris a partir terça. Ontem a JV parecia no controle, hoje nem tanto. O que será depois de amanhã? Não dá para adivinhar. Nem para perder.

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