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    Jumbo atacou como nunca, não perdeu como sempre

    por Leandro Bittar

    Um dia inesquecível no Tour de France. Ataques, sacrifícios, sobrevivências e a certeza que ao final do topo do Col du Granon temos o cenário tão promissor em emoção para os próximos dias quanto o que vivemos ao assistir a etapa desta quarta-feira. Serão dias inesquecíveis daqui para frente e uma disputa como a muito não se via.

    A Jumbo-Visma apostou todas as suas cartas nesta etapa 11 no dinamarquês Jonas Vingegaard. que venceu, vestiu a camisa amarela e abriu 2min22s sobre Tadej Pogacar. O esloveno da UAE parecia ser capaz de sobreviver ao enxame holandês, mas sofreu demais nos últimos 5km de subida. Os papeis agora se invertem. É o bicampeão que vai precisar partir ao ataque.

    O incrível Wout e o último suspiro de MVDP nesta edição

    O segundo dia de batalha nos Alpes viu uma batalha frenética. Que começou em alta velocidade em uma fuga de luxo. Primeiro com Mathieu Van der Poel e Wout Van Aert. Depois, com a chegada de muitos bons nomes que sonhavam brigar pelos pontos de montanha e com uma benevolência do pelote para disputarem a etapa. Uma pena que MVDP abandonou pouco depois da bonita subida ao Lacets de Montvernier. Mas não dá para ficar surpreso.

    A primeira subida do dia foi o prenúncio da beleza desta etapa

    Assim como não surpreendeu mais uma exibição de “abundância” de WVA, que ampliou sua vantagem na verde, trabalhou na fuga, tinha um papel tático para possíveis ataques (o que não rolou) e ainda ajudou Roglic a reconectar com o grupo líder na última subida. Impossível colocar limites para esse cara.

    Roglic e Kuss chegaram felizes, com 10min de atraso. Missão cumprida.

    Toda equipe Jumbo-Visma esteve muito disposta na etapa e isso contrapôs com uma cambaleante equipe UAE. Mais uma vez, Majka, Soler, McNulty fizeram “o pouco” possível para ajudar Tadej Pogacar. Já as abelhas iam e voltavam por todos os lados. Foi realmente difícil ler o que eles planejavam além do óbvio: desgastar o líder.

     

    Pogacar lutou bravamente e seu ímpeto atacante sempre na ponta pode ter custado um preço alto

    Uma certeza foi a nobreza de Primoz Roglic em abdicar de seus interesses pessoais e trabalhar muito por Vingegaard. Os dois começaram cedo, na parte menos dura do Galibier, a dinamitar e isolar Pogacar. O esloveno fechou todos os espaços. Por isso, foi uma grande surpresa quando Jonas Vingegaard atacou com 5km para o final e Pogacar não respondeu. O espanto aumentou quando os outros rivais foram largando o bicampeão: Bardet, Thomas, Gaudu, Adam Yates. Nunca tínhamos assistido o esloveno tão frágil desde que ele desabrochou na Vuelta España de 2019.

    Exausto, mas ainda no jogo. Pogacar está na posição que sempre desejamos pensando no espetáculo

    Logo depois da linha de chegada, tendo tomado 3min para Vingegaard, o atual campeão não jogou a toalha. Quer uma revanche. Tirando um medo real que ele também teste positivo para Covid e isso afete seu rendimento, creio que temos excelentes motivos para acreditar que essa disputa ainda vai longe.

    A etapa 12 tem como juízo final o topo do mítico Alpe d’Huez. Um dia com mais desnível acumulado do que vimos até aqui no Tour. Serão 4.700m distribuídos em 3 subidas HC: Galibier, Croix de Fer e o próprio Alpe d’Huez. É a etapa do L’Etape deste ano. Quem viu sabe o que vem pela frente. Foram 10 etapas antes desse dia épico. Faltam 10 até Paris. Eu estou animado. Todos temos motivos para nos animar.

    PS: Se eu estou curioso pelos comentários do Nico Sessler sobre a disputa hoje, creio que você também vai curtir. O podcast está no seu player favorito e o link direto para a transmissão no Youtube está aqui: https://youtu.be/4aZaq5Ayp3E

     

     

     

     

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