• Início
  • Journal
  • Hoje foi só olé, ou melhor, Soler
  • Hoje foi só olé, ou melhor, Soler

    Hoje foi só olé, ou melhor, Soler

    por Daniel Bahia

    Enfim, A FUGA.

    A história de Davi vs Golias tem um grande reflexo na cultura esportiva ocidental, aquela forte tendência de criarmos identificação com os competidores em situação de desvantagem. No ciclismo não é diferente, e por diversas vezes nos pegamos torcendo para que o esforço de um ciclista solitário, ou de um pequeno grupo, seja condecorado com a vitória.

    A etapa 5 da Vuelta entre Irún e Bilbao, nos premiou com um desses resultados heróicos. Marc Soler, o “esquentado” atleta Espanhol, sempre envolvido em polêmicas e brigas de equipe, conseguiu trazer para a Espanha uma aguardada vitória de etapa, que não ocorria desde 2020. Apenas a sexta vitória da carreira desse escalador catalão, que correu durante toda a carreira na equipe da casa, Movistar, e esse ano partiu para ser gregário de Tadej Pogacar na forte equipe UAE. Por esse motivo, o fato de ter terminado a etapa com a garrafinha da Movistar tenha causado tanto rebuliço nas mídias.

    A vitória foi difícil e aconteceu depois de uma grande batalha de ataques e contra-ataques. Desde a largada várias tentativas de fuga foram neutralizadas, até que com pouco mais de 70km percorridos um forte grupo se organizou e conseguiu se destacar do pelotão. Com 90 km percorrido a fuga já estava montada com uma pequena diferença, eis que então ataca do pelotão Marc Soler, em busca de sua chance. Movimento perfeito de Soler que com poucos kms já estava junto do grupo 1 escapado.

    A essa altura o pelotão controlava a prova a distância. A Jumbo do camisa Roja Roglic administrava a diferença, sabendo que seria muito desgastante controlar toda a etapa. Feitas todas as matemáticas e avaliação curricular dos escapados, já estava claro que o vencedor da etapa e provavelmente o novo camisa Roja estava na fuga.

    O maior favorito no grupo, e mais marcado, era o jovem inglês Fred Wright (Bahrein-Victorious) que se defendia como podia. Até que na segunda escalada ao Alto del Vivero, subida aos arredores da cidade de Bilbao, Soler deu seu tiro de misericórdia e partiu pra vitória, sendo então perseguido pelo grupo que abandonara, até os metros finais da etapa. Foi na ponta dos cascos. Nesse grupo estava o experiente Rudy Mollard (Groupama – FDJ) que por apenas 2” conseguiu permanecer à frente de Wright (agora camisa branca de melhor jovem) e vestir mais uma vez a camisa Roja, já que havia conseguido o feito durante 4 etapas da Vuelta de 2018.

    Amanhã certamente teremos mais mudanças na classificação geral com a ascensão ao Pico Jano, de 12km a quase 7% de inclinação media, no final de uma etapa com 181,2km e 4120m de altimetria.

    Vamos!!

    Compartilhe este post

    Deixe um comentário

    Os comentários precisam ser aprovados antes da publicação.