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    Hey Phillll!!!!!

    por Leandro Bittar

    Após o pódio de Alejandro Valverde na Strade Bianche, aos 41 anos de idade, certamente as esperanças reacenderam em muita gente no pelotão. “Enquanto tem bambu, tem flecha”, como diz o narrador Everaldo Marques. Dessa vez, um vice-campeonato na Clássica Monumento Milão-São Remo não será suficiente para o belga Philippe Gilbert. Aos 39 anos, 20 deles como ciclista profissional, ele precisa vencer a Classicíssima para transformar aquele que é o mais seleto grupo do ciclismo mundial em um quarteto.

    Até agora, Eddy Merckx, Roger De Vlaeminck e Rik Van Looy, todos belgas como Gilbert, são os únicos ciclistas que venceram todas as cinco Monumentos do Ciclismo. Prometi que falaríamos muitas vezes disso, certo? Então vamos repetir quais são: Milão-São Remo, Volta de Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Il Lombardia.

    O trio das 5 Monumentos: Eddy Merckx, Roger de Vlaeminck e Rik van Looy.

    Detalhe que Merckx até permite que simples mortais sentem-se ao seu lado nessa mesa. Mas faz questão de ser o único a ter vencido essas mesmas provas ao menos duas vezes cada. Ele guarda também  um recorde difícil de ser igualado de 19 Monumentos na carreira. Sempre é bom lembrar que Eddy Merckx, o Canibal, é o maior ciclista de todos os tempos.

    Philippe Gilbert (à dir) no primeiro treino com a equipe Française des Jeux, em 2005.

    Já Philippe Gilbert é um pouco mais modesto. Venceu “apenas” cinco. Talvez por ter começado muito cedo, ele ficou conhecido como um ciclista valente, que sempre atacava. E com a camisa da Française de Jeux, nem sempre vencia. Quando “dava bom”, era com panache, como a Paris-Tours de 2008, frustrando os velocistas. Em 2009 ele assinou com a Silence-Lotto [hoje Lotto-Soudal] e viveu o que pode ser considerado o auge da sua carreira. Muitos sucessos importantes e uma temporada 2011 canibalesca, que inclui, entre outros, a Strade Bianchi, a trinca das Ardennas (Amstel, Fleche e LBL) e a Clássica de San Sebastian.

     

    Liège-Bastogne-Liege 2011: Phil coloca os irmãos Schleck no bolso.

    Não tinha um classicômano melhor do que ele na época e a BMC o levou a peso de ouro oferecendo um longo contrato de 3 anos, depois renovado por mais dois. O status de estrela o deixou muito mais marcado e as vitórias rarearam novamente. Porém, relevantes. Ele conquistou o Mundial de 2012 (em um lindo ataque em Valkenburg, na Holanda), outra vez a Amstel Gold Race e etapas na Vuelta a España e no Giro d’Italia. Deixou a equipe no final de 2015 sugerindo que seus melhores momentos já tinham ficado para trás.

    Na Vuelta 2013. Única vitória com a camisa arco-íris.

    O ‘plot twist’ foi a oportunidade de correr pela Quick Step, de Pat Lefevere. Junto aos lobos, as oportunidades surgiram e ele venceu, ao seu melhor estilo, outras duas monumentos: Volta de Flandres e Paris-Roubaix. Aqui vale um pitaco pessoal. Torci muito por ele, mas, de coração, não achava possível. Sentimento muito similar ao que sinto hoje pensando no que ele é capaz de entregar na próxima Milão-São Remo. Eu não tenho coragem de chamar nada para Gilbert de impossível. Porém, os anos pesaram e a MSR não é uma prova capaz de grandes surpresas. Ele já foi 3o duas vezes no longínquos 2008 e 2011. Dois anos atrás conseguiu um top10, dois segundos atrás de Wout van Aert. Agora…bom, agora ele ao menos pode se dizer o cara que mais tentou. 18 vezes é o número máximo que um ciclista já largou em uma mesma Monumento.

     

    A célebre comemoração na Volta de Flandres em 2017.

    Curiosamente, ele tem na sua equipe um dos principais favoritos. O sprinter australiano Caleb Ewan. Taticamente, isso pode ser um trunfo. Marcar um ataque de Gilbert pode deixar Ewan numa posição confortável. Mas ainda é muito difícil imaginar como isso pode acontecer. Porém, eu posso apostar desde já que ele vai tentar. #striveforfive

     

    Em homenagem ao fã #01 do Philippe Gilbert, o carioca Pedro Barbosa, assista a vídeo-aula do Phil no Mundial de 2012.

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