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    Em 2023 teremos 190 arco-íris

    por Leandro Bittar

    Aos amigos cariocas eu nem preciso me esforçar muito para que eles se lembrem da euforia de sediar uma Olimpíada. Quase todo mundo que pedala no Rio tem alguma experiência nesse período em que os melhores ciclistas do mundo, nas mais diversas modalidades duas rodas, estiveram por aqui. 

    Quem já viveu isso de perto consegue imaginar o que a UCI pode alcançar criando uma verdadeira “Olimpíada da Bicicleta”, que já tem data para a 1ª edição, em Glasgow, na Escócia. Será entre os dias 3 e 13 de agosto de 2023 e o nome oficial do evento é “UCI Cycling World Championships”.


    A entidade máxima do ciclismo vai testar pela primeira vez reunir os Campeonatos Mundiais de Estrada, Pista, MTB, BMX Racing e Freestyle, Paraciclismo e (respira!) até as inusitadas disputadas de ciclismo artístico e cycle-ball (futsal com bicicletas que exige uma foto).  Se funcionar, o plano é repetir esse grande encontro a cada quatro anos, sempre um ano antes dos Jogos Olímpicos.

    Observe bem. Tem uma bola na disputa 

    Legal? Sim. Em vários aspectos. Reunir tantas comunidades do ciclismo em um mesmo local traria um senso de unidade ainda maior. Além de permitir que as delegações se estruturassem de uma forma até mesmo mais econômica. Apesar de ainda desconhecermos quais eventos coincidirão data e outros detalhes relevantes.

    O francês David Lappartient, presidente da UCI, afirmou que esse é um sonho antigo da sua gestão. “Estou encantando com a primeira edição do Mundial de Ciclismo UCI na Escócia. A experiência com grandes eventos, a estrutura esportiva e cenário escocês são ingredientes perfeitos para os 11 dias de competição”, disse Lappartient em uma coletiva virtual de lançamento.

    A atual campeã mundial de estrada Elisa Balsamo com sua arco-íris

    Do ponto de vista logístico, os seis locais-sedes em Glasgow estão separados por um raio de 10km. Por lá, são esperados mais 8.000 ciclistas profissionais e amadores de 120 países, que disputarão 190 camisas arco-íris (já falamos dessa camisa aqui). 

    A UCI espera que o evento reúna audiência na casa dos bilhões e entre para os dez mais assistidos do mundo. Com isso, a entidade espera ter um pacote de patrocinadores muito mais robusto. Necessário até para bancar os 45 e 60 milhões de euros que devem custar o evento.

    Com a data definida, começa agora um debate para entender e rearranjar a temporada 2023, principalmente, o calendário do ciclismo de Estrada, que habitualmente tem o Mundial disputado entre os meses de setembro e outubro. Tentando imaginar, será algo muito similar ao que foi os Jogos de Tóquio, com o Mundial algumas semanas depois do Tour e antes da Vuelta. Soma-se nessa agenda, o Tour de France feminino, que em 2022 estreia logo depois do término da versão masculina. Se deu certo no Japão, pode muito bem dar novamente.

    O fenômeno britânico pode vencer tanto o Mundial de Estrada quanto o de MTB, mas não em 2023. Ou dá?

    Outro grande impacto nesse novo formato é algo que podemos chamar de ‘efeito Pidcock’. Já que vai ser impossível um ciclista correr mais de uma modalidade como se faz hoje em dia. O britânico, recém campeão mundial de ciclocross, já disse que quer vencer também o Mundial de MTB e o de Estrada em 2022. É bom ele ser eficiente agora, em 2023 não vai rolar.

    Campeões na pista e na estrada, como Filippo Ganna, serão sacrificados

    Ciclistas que intercalam experiências na pista também terão dificuldade. Nomes como o italiano Filippo Ganna, atual campeão mundial de CRI (Estrada) e perseguição por equipes (Pista) ou ainda boa parte dos ciclistas que disputam a Ominium e a Madison no velódromo, como Michael Morkov e Amalie Dideriksen terão dificuldade com os treinos específicos. Pensando no ciclismo brasileiro, isso afetaria nosso principal nome paralímpico. Lauro Chaman tem sido figura recorrente nas disputas de Estrada e Pista, mas que demonstrou nos JO que consegue uma boa transição entre as distintas especificidades de cada modalidade.

    E ai, o que você acha da iniciativa da UCI? Partiu, Glasgow?

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