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    Brazilian Storm do MTB: quais são os próximos nomes da elite?

    Brazilian Storm foi um termo utilizado no mundo do surf para se referir a uma geração de brasileiros que apareceram no circuito mundial das ondas.

    É claro que, aos olhos da mídia e da grande massa, aqueles novos surfistas surgiram “da noite para o dia”, mas aquilo era resultado de algum movimento que vinha acontecendo no meio da molecada que passava o dia dentro da água e acompanhando seus ídolos na televisão.

    Em meados de 2008, li um artigo do Hugo Prado Neto na Revista Ragga, onde ele fazia previsões de quais eram os nomes dos atletas juvenis e juniores que iriam aparecer pelo mundo. Naquele artigo ele citou os seguintes nomes como as promessas que poderiam despontar no futuro: Gabriel Domenicone, Gabriel Picinin e Henrique Avancini – eram os três pré-adolescentes que poucos conheciam à época.

    A aposta do Hugo foi assertiva no único atleta que conseguiu resultados constantes no circuito mundial de MTB elite até os dias atuais.

    Há quem diga que tenha existido mais atletas, há quem diga que tenha sido menos. Mas precisamos abrir os nossos olhos para os próximos brasileiros que estão por vir nessa fila – eu acredito que agora vem uma Brazilian Storm do MTB.

    Dessa vez está um pouco mais ‘fácil’ de prever quem serão os atletas que vão aparecer no top 5 das Copas do Mundo, Campeonatos Mundiais, Cape Epic e Brasil Ride. Mais fácil por quê temos alguns nomes a mais e certa facilidade para acompanhar os resultados da molecada de hoje. Vamos aos nomes:

     

    Henrique Bravo (categoria junior)

     

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    Já fiz uma entrevista com ele e o vejo pedalar aqui na região desde que ele tinha uns 12 anos de idade. Já ganhou e já perdeu muita corrida, já participou em provas de road e já se infiltrou no meio dos elites em alguns treinos e corridas menores. Isso tudo deixa o Bravinho com um currículo bem experiente. Faço questão de salientar que ele já perdeu muitas provas, pois acredito que isso seja extremamente importante para a formação de um atleta. É muito importante que o aprendizado de lidar com frustrações apareça no início da carreira, não na sua fase madura. Os pais dele são incentivadores natos do esporte e sempre estão presentes nas corridas.

    Suas principais habilidades são as subidas e descidas. Pedalar no plano ainda é uma dificuldade dele, mas rondam diversas apostas de que teria um futuro brilhante no road devido ao seu porte físico idêntico ao dos GC.

     

    Vinicius Howe (Cat. Junior)

     

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    Sei pouca coisa do Vinicius e nunca tive a oportunidade de conversar com ele, mas basta comparar os resultados para ver que ele já acumulou muitas vitórias na categoria Junior, vencendo o Bravinho em várias ocasiões.

    Ele é do Sul e treinou com o Valmor, um excelente atleta, professor e construtor de pistas – um cara que certamente acrescentaria observações super valiosas à essas apostas aqui.

    O Vini se diferencia do Bravinho pelo porte físico. Basta ver os dois no pódio e é muito claro que ele é um atleta maior e com a musculatura mais desenvolvida. Apesar da rivalidade entre esses dois atletas, percebi uma amizade muito legal que eles têm, algo primordial para a tal Brazilian Storm do MTB realmente acontecer.

     

    Gabriela Ferolla (Junior Feminina)

     

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    A Gabi começou a pedalar na Perdidas quando tinha uns 13 anos. Seu pai, o Pedro Ferolla, participou de diversas provas de XCO e XCM comigo, é um excelente atleta e incentivador do esporte.

    Ela passou alguns meses treinando e competindo na Europa, com toda a estrutura da UCI. Cresceu nesse meio e tem a bike como algo muito natural, pilota muito bem e tem excelentes participações em pedais de longa distância – o ‘duzentão de natal’ aqui em BH é um bom exemplo da pancadaria que ela já aguentou. Acho que é cedo para perguntar se o XCM ou road podem se tornar preferências, até por que ela vem pegando excelentes resultados no XCO, assim como vem praticando a diversidade de distâncias.

     

    Nina Carvalho (Juvenil Feminina)

     

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    A Nina é filha do Ike, um antigo lojista de bike aqui em Belo Horizonte. Ele é um cara que respirou bicicleta a vida inteira, já trabalhou com várias marcas e já competiu até no Downhill. Sempre deslocou a sua loja para os principais eventos de MTB da região.

    Quem entrava na Ikenfix Bikes em meados de 2008 em Belo Horizonte, se deparava com um berço no meio das bicicletas, roupas e capacetes. Nas tendas que eles montavam nas provas, o berço também ia junto, sempre com a bebê dentro – era a Nina. Ela cresceu literalmente no meio das bikes e em uma cidade que respira o MTB. Pedala com o seu pai na perdidas e está acumulando grandes resultados na sua categoria.

    Ela está se saindo muito bem no XCO e me parece que tem algumas influências da turma do enduro em Belo Horizonte. Não custa nada ela flertar com as modalidades de gravidade no futuro.

     

    Leozinho Castro (Juvenil Masc)

    O atual manager da sua equipe me falou como foi que decidiu contratar o Leozinho. Ele disse que basta olhar os resultados e os tempos que os primeiros lugares de cada categoria estão fazendo. Segundo ele, aconteceram algumas ocasiões onde o Leozinho vencia na categoria Juvenil com um tempo (por volta) idêntico ao dos campeões da categoria logo acima (junior).

    São normais as situações em que o Leozinho venceu uma prova de XCO colocando dois minutos de diferença para o segundo colocado, algo surreal para uma disputa de XCO, principalmente com o número de voltas reduzido que a sua categoria tem.

    Ele é irmão do Uirá Castro (sim, existe uma diferença muito grande de idade entre eles) o que mostra que ele também está em uma família que respira esporte, alta performance e troféus espalhados pela casa.

    entrevistei o Leozinho e cheguei à conclusão de que ele tem bastante consciência do caminho que tem pela frente. Ele foi bem assertivo ao responder que a parte mais importante para chegar onde quer é a paciência – o resto parece que ele já tem.

     

    Rafinha (Enduro/BMX)

     

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    Pra quem ainda não conhece, foi a melhor entrevista que eu já fiz. É o atleta mais novo e também de menor estatura da nossa lista.

    Ele tem nove anos de idade e possui nanismo. Ele se aventura nas categorias Kids, onde a divisão é feita pelos aros das bicicletas. Se aventura também nas trilhas de MTB em Belo Horizonte, mas o seu forte são as manobras na pista de pump track.

    Sua família entendeu que o esporte é o melhor aliado para o nanismo, ajudando no equilíbrio e desenvolvimento correto da sua musculatura, por isso, ele pedala desde os dois anos de idade.

    Desde muito novo ele salta rampas com muita facilidade e já faz manobras como whip, no foot e me falou que está treinando para um front flip: ele me disse que sua cabeça é grande e isso vai ajudar a dar o impulso necessário.

    A promessa ali é de um grande piloto no freestyle e disciplinas de gravidade.

     

    Temos atletas que também estão em equipes importantes e têm resultados muito bons e consistentes, mas que eu não tive a oportunidade de escutar a história de cada um. Basta ver os resultados das corridas mais importantes no Brasil, e você encontrará:

    Os irmãos Gustavo e Guilherme Galvão, Gustavo Nogueira, Eike Leôncio, Luiza Cocuzzi, Indianara Scotti, Hani Rodrigues e alguns mais. São atletas jovens que já tiveram excelentes resultados em competições importantes.

    Quase todas as equipes profissionais já contrataram pelo menos um atleta de base, o que é uma realidade inexistente em 2008, quando o Hugo fez a aposta dele.

    E esse exercício de observar a evolução dos atletas jovens é tão legal quanto assistir a briga da elite. Aqui existe muito mais especulação e cada aposta que fazemos nas categorias de base envolve muitas outras variáveis além das tradicionais que precisamos analisar quando falamos de atletas maduros.

    É por isso que é bem mais difícil investir na base, mas como qualquer investimento difícil, o retorno é sempre maior.

    Parabéns à todos os atletas de base e às equipes que apostaram neles!

     

    Segue aqui, o instagram de todos eles:

    @henriquebravomtb

     

    @viniciushowe

    @gabrielaferolla_

    @nina_mtb_

    @leozinho.castro

    @raf.inha2901

    @gabriel__mtb

    @guilhermegalvao_mtb

    @nogueira.mtb

    @eikimtb

    @luizacocuzzi

    @indi_scotti_mtb

    @hanirodrigues


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