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    “Vingegaards Coladus”, uma nova espécie de carrapato

    por Leandro Bittar

     

    Vocês assistiram a rampa final da Etapa 17? Os últimos metros de Peyragudes foram impactantes. Impressiona o primeiro que chegou lá em cima, o esloveno Tadej Pogacar, com também impressiona o último, o velocista Fabio Jakobsen, que resistiu ao tempo de corte por apenas 14s. O Tour de France 2022 segue nos tirando o fôlego e entregando grandes histórias. E tudo isso reforça uma certeza cada vez maior: Jonas Vingegaard é um cara à altura para vestir camisa amarela em Paris.

    Pogacar comemora completar o grande esforço da equipe.

    A etapa desta quarta-feira ofereceu o tão esperado embate entre os dois favoritos máximos ao título. Tanto Pogacar quanto Vingegaard rodam numa velocidade acima de todos os demais e sempre muito juntos. Por incrível que pareça. Isso não tem tornado a corrida chata. Estamos assistindo como se uma bomba relógio estivesse em contagem regressiva para explodir. Pogacar é a bomba. Vingegaard o desarmador. Tenso.

    Um heroico Brandon McNulty chegou em terceiro e foi eleito o mais combativo do dia

    Foi um dia tão caótico que começou com a notícia que o principal gregário de Pogacar estava fora. Rafa Majka sentiu uma lesão muscular no quadríceps após um incidente mecânico da etapa anterior. Quando sua corrente quebrou ele bateu na bike e rompeu o músculo. Com apenas três gregários, parecia impossível Pogacar controlar a prova. Mas Mikkel Bjerg e Brandon McNulty fizeram exibições bestiais. Esfarelaram o pelote e só Vingegaard conseguiu subir com eles.

    O dinamarquês está curtindo tanto quanto o público esse embate mano a mano

    Porém, não era SÓ Vingegaard. Era o camisa amarela. Mais uma vez, o dinamarquês demonstrou sua força. E, de certa forma, demonstrou uma gentileza que talvez só tenhamos visto assim em um outro grande campeão, o espanhol Miguel Induráin. Com 2min22s de vantagem, o ciclista da Jumbo-Visma não fez questão de “matar” a prova hoje. Ficou só de roda. Pogacar não tinha energia para larga-lo.

    Nunca se subiu Peyragudes tão rápido. Nem a geração Pantani!

    O esloveno guardou tudo para um sprint na assombrosa rampa final. Salvou o grande trabalho da equipe com sua nona vitória de etapa do Tour de France. Pogacar é um fenômeno e a UAE fez algo que ninguém seria capaz de prever. Mas beirando o limite da perfeição, não foram capazes de abalar Jonas Vingegaard. Fora a etapa, foram apenas 4s que o esloveno recortou, fruto da bonificação.

    O caminho até Paris é duríssimo e Jakobsen hoje representa isso como poucos

    Tudo pode acontecer nesta quinta, na terceira e última batalha dos Pirineus. Serão duas subidas HC e uma categoria 1. O final no Hautacam é famoso por sentenciar campeões e silenciar sonhos. Foi lá que um outro dinamarquês venceu o Tour. Em 1996, Bjarne Riis deu fim à Era Induráin nesta montanha. Agora, a expectativa não é de um fim. Mas de sacramentar um início. Vingegaard quer se sentar à mesma mesa dos grandes campeões.

    Fora a disputa pela amarela, Wout Van Aert já garantiu matematicamente a camisa verde. Precisa apenas chegar em Paris. O belga que não conseguiu ser tão impressionante na etapa de hoje terá uma missão duríssima para controlar o pelotão nesta quinta e depois terá novas oportunidades de protagonismo sexta, sábado e domingo.

    Se a verde já fechou, a camisa de bolinhas promete muita emoção. Serão 50 pontos (ao máximo) disponíveis. Vingegaard e Pogacar podem brigar por esse prêmio, mas tem outros nomes também sonhando em tomar o KOM do alemão Simon Geschke. Uma combinação de resultados poderia tornar a subida de categoria 4 da etapa de Paris decisiva nesta disputa. Já pensou?

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