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    7 dicas para sobreviver à um pedal no barro

    Neste final de semana, assistimos um festival de tombos, bikes quebradas e atletas da elite sendo testados ao máximo em uma situação de chuva, barro e lama. O Desafio dos Gigantes em Petrópolis trouxe algumas das situações mais caóticas que podemos experimentar no MTB. Quem venceu a disputa foi Luiz Henrique Cocuzzi, que assumiu ter se preparado em terrenos molhados nas suas últimas semanas de treinamento.

    Vamos destrinchar aqui, quais são os conhecimentos básicos que precisamos ter nestas situações:

     

    1 – A chuva em si não é o problema

    A água que cai do céu e te atinge diretamente não é a pior coisa que pode acontecer com o seu pedal. O problema é como essa água vai modificar o solo que você está andando. Em um asfalto, tudo pode ficar mais escorregadio. Em uma trilha de cascalho, pouco vai mudar. Mas em um local de terreno argiloso, pode ser o caos.

    E o maior problema é quando a chuva para de cair. Neste momento, a lama criada pela água vai começar a secar e vai se transformar em argila. Esse sim é o pior pesadelo do ciclista que enfrenta uma chuva.

    Barro em Petrópolis
    A chuva vai embora, o barro começa a secar e vira argila (Alemão Silva)

     

    2 – Preserve o seu equipamento

    Lama e barro
    Lama e barro

    Tenha em mente que qualquer pedalada na lama vai desgastar o seu equipamento em uma velocidade recorde. Corrente, coroas, cassete, polias, pastilhas e discos de freio são os principais candidatos a serem trocados.

    Mas pior do que ter um desgaste prematuro é ter alguma dessas peças quebradas durante o pedal, fazendo com que você precise voltar para casa mais cedo. Com tanto barro entrando no sistema, é muito provável que o seu câmbio trave em algum momento, ocasionando ruptura dele ou de outra peça do sistema (por exemplo a gancheira, que também vai fazer você voltar pra casa a pé).

    Aprenda a pedalar com mais suavidade quando estiver nessas condições. Procure realizar menos passagem de marchas, mesmo que isso custe você andar em uma cadência um pouco desconfortável. Evite também a marcha mais pesada e a mais leve do cassete, pois mesmo em condições normais elas já exigem um pouco mais do sistema.

    Aplicar menos acelerações fortes ou sprints, tentando ter uma força mais constante, também vai preservar seu equipamento. Lembre-se: não adianta nada ser o cara que fez mais força, mas precisar abandonar a prova por que toda a potência aplicada só serviu para destruir a bike.

     

    3 – Escolha correta dos pneus e da calibragem

    Exemplo de um pneu de lama
    Exemplo de um pneu de lama

    Diferente do que muitos pensam, o pneu ideal para o barro não é aquele mais grosso e com maior área de contato com o solo (que em situações normais iria aumentar o grip).

    Para aumentar o grip no barro, precisamos de um pneu um pouco mais fino, seguindo a mesma teoria do cyclocross. Esse tipo de medida vai fazer com que o pneu crie uma pequena vala dentro do barro, e aí sim não vá escorregar.

    Outro problema do pneu largo é que ele vai acumular muito barro, deixando a sua bike mais pesada. Além disso, o espaço entre o pneu e o quadro da bike vai ser reduzido se você optar pelas medidas largas, fazendo com que o barro acumulado no pneu raspe no quadro, criando um freio natural.

    Foi o que vimos na competição em Petrópolis, vários atletas que estavam com as rodas totalmente travadas e precisaram carregar as suas bikes nas costas mesmo nas descidas.

    Além disso, o pneu próprio para chuva possui menos cravos e eles devem ser mais altos e mais espaçados.

     

    4 – Pilotagem assertiva

    Raíza Goulão carregando a bike nas costas - Alemão Silva
    Raíza Goulão carregando a bike nas costas – Alemão Silva

    Quando você entra no barro argiloso, a melhor opção é manter uma velocidade de cruzeiro ideal. Vamos imaginar uma situação em que todas as possibilidades caóticas abordadas acima estejam acontecendo: rodas travadas, pneus que já não tem mais grip, marchas e transmissão que não funcionam etc. Se você deixar a velocidade da bike chegar próxima de zero, você vai precisar fazer uma arrancada novamente, o que vai dificultar todo o cenário.

    Portanto, mantenha o controle nas descidas, seja constante, aplique força e estabilidade nos braços para vencer os vários chicotes que o barro vai te dar, assim você evita cair no chão e zerar a velocidade na bike. Veja no vídeo abaixo como os três primeiros pilotos da elite (Cocuzzi, Avancini e José Gabriel) sempre passam com mais facilidade enquanto todos os outros atletas estão com as suas bikes travadas. O motivo disso é justamente o fato de eles manterem uma velocidade constante, que expulsa o barro dos seus pneus e nunca permite a velocidade próxima de zero.

    5 – Preze pela sua visibilidade

    Cocuzzi acelera na Lama - Foto Alemão Silva
    Cocuzzi acelera na Lama – Foto Alemão Silva

    Qual é a primeira coisa que acontece quando chove? Seus óculos ficam cheios de água, embaçados e sujos. Você já tem todo esse problema de pilotagem técnica e ainda precisa fazer sem enxergar direito – um verdadeiro caos.

    Você tira os óculos e tudo melhora, mas aí entra barro dentro do seu olho e você fica cego por alguns minutos. Piorou.

    Em uma competição, vale a pena trocar de óculos no ponto de apoio. Pegar água da sua garrafinha para fazer uma limpeza rápida nas lentes também vai te ajudar bastante. Repetir o procedimento a cada 5 minutos pode ser cansativo, mas vai permitir que você enxergue os obstáculos à sua frente, evitando acidentes que podem ser sérios.

    Se optar por andar sem óculos, procure fugir das poças de água que vão jogar aquele spray na sua cara, ou procure fechar os olhos no momento da sujeira – manobra que também é muito arriscada.

    E nunca, nunca cometa o erro de tirar os seus óculos e guarda-los no bolso da sua jersey. O barro que está na lente e no bolso vão riscar toda a sua lente.

     

    6 – Boca fechada preserva a sua saúde

    Barro da natureza ou esgoto da cidade?
    Barro da natureza ou esgoto da cidade?

    Já vimos diversas vezes casos de atletas que pedalaram no barro e tiveram problemas intestinais no dia seguinte. O que aconteceu nesses casos é que ali perto tinha um esgoto aberto ou um pasto com fezes de animais (ou humanas) e todo aquele barro que vinha direto na cara dos atletas era a maior podridão do planeta.

    Aí você fez força demais (coisa que eu já expliquei que não combina com chuva), ficou com a respiração ofegante a ponto de só conseguir respirar de boca aberta (costume que é ruim em qualquer situação) e acabou ingerindo umas boas gramas de esterco.

    Portanto, crie o costume de respirar pelo nariz. Quando estiver chovendo, fique de boca fechada. Quando for beber água da sua caramanhola, saiba que o bico dela está todo sujo por fora, então evite encostá-lo na sua boca.

    Mesmo assim, vale a pena pegar o costume de cuspir sempre, colocando para fora qualquer barro que inevitavelmente pode entrar na sua boca.

     

    7 – Considere abortar o pedal

    Assistir um netflix pode ser a melhor opção
    Assistir um netflix pode ser a melhor opção

    Sim, nem tudo são flores e nem todos os atletas são pagos para correr tanto risco. E pouca gente tem tanto dinheiro para arcar com as despesas de um longão no barro.

    Fora que, a pedalada no barro só é divertida para quem assiste, mas muito sofrida para quem pedala, afinal, você não vai poder descer com toda a velocidade que gostaria, nem aplicar toda a potência que tem nas pernas.

    Então, cabe a você colocar todos esses tópicos do caos na balança e chegar à conclusão se vai mesmo pra trilha, se vai de road ou se vai fazer um day off.

    Bons treinos a todos!


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