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    It’s time!!!!!

    Dizem que a temporada de ciclismo só começa oficialmente na clássica belga Omloop Het Nieusblad. Eu tenho alguns motivos para argumentar ao contrário, já tem muita coisa legal rolando, porém, não é hora de refazer as “regras não ditas” do ciclismo. Deixa isso para uma outra oportunidade. Fato é que antes da Omloop, a temporada WT começa no próximo dia 20/2 e será bem distante do solo europeu, nos Emirados Árabes, com o UAE Tour. Um evento que caminha para sua quarta-edição e já tem bastante história para contar. 

    Não é segredo que o petrodólares têm sido uma atração e tanto para os envolvidos no ciclismo. Seja a UCI, organizadores de prova, donos de equipes e ciclistas, todos surfam a onda de um dinheiro abundante e que permite muitas rodas girarem na engrenagem do esporte. Qatar, Bahrein, Omã, UAE…são todos nomes familiares aos ouvidos de quem acompanha ciclismo. 

     

    Uma relação, sim, moldada prioritariamente sob os interesses financeiros, mas que, no caso do UAE Tour, tem conseguido equilibrar bem com o aspecto esportivo. Como toda prova pelas estradas árabes, os ventos normalmente levam aos sprints massivos, mas duas etapas de montanha (nem que seja a mesma montanha) sempre animam esse primeiro evento World Tour. O destaque é sempre o time da casa, além de Tadej Pogacar – que se recupera de um positivo por Covid19 – a UAE-Emirates terá também por lá a estreia do português João Almeida. Em um start list ainda incompleto, eles devem ter bons embates com Tom Dumoulin, Adam Yates, Jack Haig e Alexandr Vlasov. 

    Outro destaque será o encontro de grandes velocistas. Sam Bennett deve fazer sua reestreia pela Bora contra nomes que já estão embalando a temporada como Mark Cavendish, Caleb Ewan, Fernando Gaviria, Elia Viviani e Dylan Gronewegen. Outra peculiaridade da volta é marcar nomes que vão brilhar ao longo do ano, por isso, olho no australiano Luke Plapp, da Ineos.

     

    Jonas Vingegaard, o surpreende vice-campeão do Tour se exibiu antes na prova árabe.

     

    No mesmo dia que a volta árabe chegar ao fim, outro pelotão larga para a Omloop. Dali, do final de fevereiro até o início de outubro, o World Tour percorre os tradicionais países do ciclismo para 29 eventos, incluindo as clássicas monumentais e as três grandes voltas Giro, Tour e Vuelta. Só sairá desse centro para apenas outros três “estranhos no ninho”: duas clássicas no Canadá e uma volta na China. Olhando o calendário fica bem nítido que a globalização do ciclismo é um esboço. 

    É compreensível a expectativa para a Omloop

     

    Recapitulando aqui de forma simples, o WorldTour é uma liga que reúne 33 eventos em 2022. Nestes eventos, os 18 times que fazem parte desta primeira divisão tem vaga garantida e também obrigatória. Ou seja, estão garantidos no Tour de France e ao mesmo tempo obrigados a correr no Canadá. Os ProTeams (segunda divisão) são convidados para as poucas vagas restantes ou selecionados pelo ranking da “segunda divisão” do ano anterior. Exemplificando com o UAE Tour, serão três convidados: a Bardiani, a Gazprom e a Alpecin, esta última tem o convite assegurado pelo ranking 2021 em todos os eventos WT. 

    Diferente de outras Ligas Esportivas, o ciclismo tem uma peculiaridade. Algumas provas são muito mais relevantes do que a Liga em si. Isso vem de décadas e sempre deu problema. Hoje, ainda tem barulho, mas é muito menor. Ilustrando: o Tour de France já anunciou as equipes para a edição 2022.  Irão as 18 equipes WorldTour, os dois times PRO garantidos pelo ranking (Alpecin e Arkea) e duas equipes francesas: Total Energies e B&B Hotels. Esses dois últimos vão pois a organização quis assim. E pronto. Pensando que a Total é o time de Peter Sagan, compreende-se o convite. Mas a B&B não tem estrelas e muita gente questionou o corporativismo francês. 

    E é assim. Quem organiza defende os próprios interesses. Nesse caso, a organização do Tour incentivou o ciclismo local. E todos fazem isso. Espanha valoriza os espanhóis, a Itália faz o mesmo com os italianos. Agora imagina quando não eram dois convites. Eram 20. As equipes que ficavam de fora podiam reclamar com o Papa que não tinham saída. Planejamento era complicadíssimo. Neste contexto, o WorldTour é um ganho muito importante para a esportividade. 

    Aliás, para 2023, a UCI pretende dar um passo além e condicionar as licenças UCI ao desempenho esportivo. Hoje o principal critério é o financeiro (e não é nada fácil cumpri-lo). Com isso, muitas equipes tradicionais como a Lotto-Soudal e Cofidis devem ter trabalho para não serem “rebaixadas”. A Arkea é quem mais ameaça uma vaga no grupo dos 18 WT, porém, a Total Energies também pode tentar esse salto. 

    Lizzie Deignen venceu a primeira Paris-Roubaix feminina

     

    No feminino, a UCI iniciou esse mesmo processo em 2016, no primeiro ano de WWT (Women World Tour). De lá para cá, mais lento do que se deseja, vem trabalhando para desenvolver não só as provas como as equipes. Em um primeiro momento, eles chegaram a transmitir boa parte das corridas ao vivo, no Youtube. Hoje, para a prova fazer parte do WWT ela precisa ser transmitida ao menos por um período e os principais canais de streaming adquirem os direitos. A cada ano, pequenas conquistas, como a Paris-Roubaix feminina em 2021. Nesta temporada, a grande expectativa para o Tour de France Femmes. Uma volta de 8 etapas, logo após a versão masculina, que promete marcar um antes e depois na modalidade. 

    A primeira prova do WWT será a belíssima Strade Bianchi, no dia 5 de março, mesma data da versão masculina. São 14 equipes que fazem parte da categoria máxima do ciclismo feminino e para melhorar a empatia do público, a UCI incentivou a união dos projetos femininos com os times tradicionais alguns anos atrás. Em 2022, só dois times não experimentam essa fusão, a Liv Racing e a poderosa SDWorx. 

    Estamos prontos. Pode vir, WorldTour!

    CONFIRA O CALENDÁRIO COMPLETO DAS PROVAS WT E WWT! (HIPERLINK: https://www.procyclingstats.com/races.php)

     

    E para fechar, o vídeo da vitória de etapa do Tadej Pogacar na Etapa 3 do ano passado. A forma como ele arremata é sensacional. 

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