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    A vitória do bom menino

    por Leandro Bittar

    O reencontro de Bob Jungels (AG2R) com a vitória é, sem dúvida, a notícia que marca a etapa 8 do Tour de France. Uma grande fuga concentrou a briga pela vitória neste domingo e, mais do que isso, teve efeitos diretos e indiretos na briga pelas classificações: montanha, pontos e geral. Faltou hoje apenas o que nem o mais otimista esperava: ataques ao líder Tadej Pogacar.

    A alegria e o alívio da primeira vitória com a AG2R, no dia mais importante da carreira do ciclista

    Jungels viveu grandes temporadas com a Quick Step. Figura notória pelo estiloso topete, ele venceu a Monumental Liège-Bastogne-Liège, etapas do Giro d’Italia e chegou a sonhar com a CG tanto no Giro quanto no Tour. Porém, em 2019 os resultados começaram a ralear e ele foi perdendo espaço na equipe belga.

    Encontrou um bom contrato com o time francês que se reestruturava e que apostou em seu talento. Só que o que já não ia tão bem conseguiu ser pior em 2021. Um ano com apenas 40 dias de competição e nem ao menos um top10. Covid, dores nas costas, uma queda grave… a lista de problemas foi inversamente proporcional aos seus feitos.

    Jungels ganhou o abraço do compatriota Andy Schleck

    Mas neste domingo, tudo isso chegou ao fim. Bem no dia que a equipe viu seu líder Ben O’Connor “explodir de vez”, Jungels entregou o resultado essencial para o equilíbrio do time. E foi em muito estilo. Ele atacou solitário, foi alcançado no topo da antepenúltima subida. Contra-atacou na descida para seguir sozinho novamente. Ainda sofreu uma perseguição frenética de outro bravo ciclista que reencontra sua boa forma, Thibaut Pinot. Mas hoje foi dia de Jungels.

    Pinot levantou a torcida em sua perseguição e foi eleito o mais combativo da etapa

    Nessa altura você se lembra do primeiro parágrafo onde eu falei que a fuga ditou o ritmo em todas as classificações. Pois bem. A presença de Rigoberto Uran na fuga era uma ameaça para a camisa amarela de Tadej Pogacar. A presença de gregários de todas as equipes com ambições na geral também deixou o suspense no ar. A UAE controlou o pelotão o dia todo e não permitiu que a fuga abrisse um tempo ameaçador para seu líder.

    Na primeira etapa com montanhas mais longas, UAE voltou a controlar

    No fim, entre uma fuga com mais de 20 nomes, apenas 4 chegaram na frente do esloveno, mais uma vez, o mais forte de um grupo reduzido com pouco mais de 10 ciclistas. Teve até um corte de 3s nesse grupo, onde apenas Jonas Vingegaard conseguiu chegar no mesmo tempo que o camisa amarela.

    Mais um dia de boas histórias. Mais um dia que Pogacar se exibe. Nem que seja a conta gotas.

    Faltou dizer das outras duas classificações. Wout Van Aert voltou a se exibir na fuga e ampliou sua vantagem na classificação por pontos. Tem agora 130 de vantagem sobre Fabio Jakobsen.

    Wout Van Aert ainda não tinha andado na fuga com a camisa verde. Então…bora lá!

    Outro ciclista que estava na fuga é o alemão Simon Geschke (Cofidis), que toma a camisa de bolinhas de Magnus Cort Nielsen pontuando em 3 das 4 subidas do dia. Ele foi o ciclista que alcançou Jungels no topo da penúltima subida. Não fosse esse esforço, o luxemburguês estaria na liderança dessa classificação. No fim também foi um bom consolo para a Cofidis, que perdeu seu líder Guillaume Martin após testar positivo por Covid.

    A camisa de bolinha tem um novo e apaixonado líder

    Amanhã é dia de descanso no Tour de France. Dessa vez mais merecido que o primeiro na segunda-feira passada. Quando voltar, o pelotão vai encarar três dias seguidos nos Alpes. Sendo o último deles (quinta-feira) com a chegada no mítico Alpe d’Huez. Mesma etapa que os amadores encararam neste domingo no L’Etape francês.

    Voltamos na terça! Allez Allez!

     

     

     

     

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